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Como o vento solar afeta a Terra?

Você já ouviu falar em vento solar? Aprenda mais sobre esse fenômeno que é responsável pela aurora boreal, influencia diretamente nossas atividades de telecomunicações e até nosso clima, com esse texto em colaboração com o Dr. Felipe Navarete do IAG-USP.

Carolina Barnez Carolina Barnez 20 Set. 2018 - 12:36 UTC
A intensidade dos ventos solares está associada com erupções de plasma proveniente da coroa solar. Créditos: NASA/GSFC/SDO.

O Sol é fundamental para a vida na Terra. De um lado a luz solar fornece a energia que é convertida em glicose via fotossíntese, associada direta ou indiretamente a maior parte de formas de vida neste planeta. Do outro, prove o calor responsável pelos movimentos da atmosfera, oceanos e toda dinâmica do nosso sistema climático. No entanto, a influência do Sol no nosso planeta se revela muito mais complexa que isso.

Além de emitir energia na forma de luz, o Sol também é uma fonte de partículas carregadas (prótons e elétrons). Essas partículas compõe o chamado vento solar e possuem cargas (positiva ou negativa) que interagem com o campo magnético natural da Terra. Ao entrarem no campo magnético terrestre, esses prótons e elétrons perdem energia, tanto pela interação com o próprio campo magnético, quanto pelo atrito com a atmosfera, emitindo as luzes conhecidas como auroras boreais e austrais.

A coroa solar é a camada que fica acima da superfície do Sol, análoga a nossa atmosfera, e é constituída de plasma, um gás eletrificado. Interações do plasma com o campo magnético do Sol promovem ejeções de massa da corona e promovem o vento solar. A intensidade dos ventos solares está associada com a ejeção de massa coronal do Sol, isso é, erupções de plasma proveniente da coroa solar.

Os impactos do vento solar

Além de causar o tão conhecido fenômeno das auroras, o vento solar possui grande influência nas telecomunicações, transporte e estacões espaciais. Isso porque nossos satélites artificiais, usados para receber e transmitir dados, estações espaciais e aviões de altas altitudes não tem a proteção total de nossa atmosfera, e são bombardeados por essas partículas carregadas de forma mais direta, a velocidades que podem alcançar até 2,9 milhões de quilômetros por hora.

A Sonda Solar Parker foi lançada pela NASA com o objetivo de entendermos qual a origem do vento solar. Créditos: NASA/Divulgação.

Alguns estudos mostram que essas partículas podem influenciar a formação de nuvens e que mudanças na atividade solar estão ligadas a variações no clima da Terra. As partículas provenientes do sol atuam como núcleos de condensação, essenciais para a formação de gotas, e aumentar a produção de nuvens e chuva. O aumento da cobertura de nuvens, por sua vez, altera o balanço de energia do planeta e pode gerar um resfriamento generalizado ou mudanças regionais no clima.

A nova missão de "tocar" o Sol

Dia 12 de agosto deste ano, a NASA lançou a Sonda Solar Parker com o objetivo de responder qual é a origem do vento solar e quais são os mecanismos que o fazem alcançar velocidades tão elevadas. "De 1963 pra cá, as medidas do vento solar eram realizadas por satélites e não medidos diretamente a partir do Sol", explica o Dr. Felipe Navarete, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Segundo Navarete, a Sonda Parker permitirá, pela primeira vez, medições do campo magnético e do fluxo de partículas do vento solar bem próximo da coroa solar.

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