Vírus gigante recém-descoberto pode oferecer pistas sobre a origem da vida
Descoberta de vírus gigante que infecta amebas reacende debates sobre a origem da vida, evolução celular e possíveis impactos futuros na biologia, na medicina e na compreensão dos vírus modernos.

Os vírus sempre ocuparam um lugar singular na ciência, alimentando debates sobre sua classificação como seres vivos e seu papel na história evolutiva do planeta. Em novembro de 2025, um novo capítulo foi acrescentado a essa discussão com a descoberta de um vírus gigante de DNA capaz de infectar amebas, anunciada em um estudo publicado no Journal of Virology.
A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Ciências de Tóquio, no Japão, que identificaram o agente infeccioso batizado de ushikavírus. O achado amplia o catálogo de vírus gigantes conhecidos e reforça a ideia de que esses organismos ainda guardam muitos segredos sobre a evolução biológica.
“Os vírus gigantes são um tesouro cujo mundo ainda não foi totalmente compreendido”, afirmou Masaharu Takemura, pesquisador envolvido no estudo, em comunicado oficial. Segundo ele, investigações futuras podem conectar de maneira inédita o universo dos organismos celulares ao dos vírus.
Hipóteses sobre a origem dos vírus e da vida
Há décadas, cientistas tentam entender como os vírus surgiram, como evoluíram e qual é sua relação com as células vivas. Diferentemente de outros organismos, eles não possuem metabolismo próprio nem capacidade de sintetizar proteínas, dependendo inteiramente das células que infectam.
O próprio Takemura, em parceria com Philip Bell, da Universidade Macquarie, na Austrália, propôs em 2001 a chamada teoria da “eucariogênese viral”. A hipótese sugere que o núcleo das células eucarióticas teria se originado de um grande vírus de DNA ancestral.
Segundo essa teoria, em vez de destruir seu hospedeiro, o vírus teria permanecido no interior da célula por longos períodos, incorporando genes essenciais. Com o tempo, essa estrutura teria evoluído para o núcleo celular, indicando que os vírus podem ter desempenhado um papel central no surgimento da vida complexa.
Evolução dos vírus gigantes e impactos potenciais
Apesar de estarem presentes em praticamente todos os ambientes, os vírus gigantes são difíceis de isolar e estudar. O ushikavírus se soma a um grupo diverso de agentes com genomas extensos e estruturas complexas, desafiando definições tradicionais de vírus.
O ushikavírus apresenta forma icosaédrica e numerosos espinhos na superfície do capsídeo, além de infectar a Vermamoeba e provocar alterações drásticas no tamanho e na morfologia celular. Ele também rompe a membrana nuclear do hospedeiro para se replicar, comportamento semelhante ao de outros vírus gigantes, como os pandoravírus. Para os pesquisadores, compreender essas interações pode ajudar não apenas a desvendar a evolução dos eucariotos, mas também a prevenir doenças associadas a amebas patogênicas, como a encefalite amebiana.
Referências da notícia
Revista Galileu. Vírus gigante recém-descoberto pode oferecer pistas sobre a origem da vida. 2025