Pesquisadores brasileiros descobrem novo vírus gigante no Pantanal e surpreendem com genoma inédito

Os pesquisadores encontraram no Rio Paraguai, dentro do pantanal brasileiro, o maior vírus gigante com cauda, que surpreende por seu genoma inédito e cauda flexível. Veja aqui mais informações.

Tomografia eletrônica de partículas do vírus descoberto, destacando o envelope externo (cor lilás) e o capsídeo (azul claro). O capsídeo é um invólucro proteico que protege o material genético viral (DNA ou RNA). Fonte: Rodrigues, et al. (2025).
Tomografia eletrônica de partículas do vírus descoberto, destacando o envelope externo (cor lilás) e o capsídeo (azul claro). O capsídeo é um invólucro proteico que protege o material genético viral (DNA ou RNA). Fonte: Rodrigues, et al. (2025).

Pesquisadores brasileiros descobriram no Pantanal um vírus que chamou atenção pelo tamanho e pela estrutura. Ele foi encontrado isolado, em amostras de água do rio Paraguai, no município de Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, e recebeu o nome de Naiavírus.

Este é considerado um dos achados mais surpreendentes da virologia recente, pois é o primeiro vírus gigante envelopado descoberto (que possui uma membrana externa envolvendo o capsídeo). A descoberta foi divulgada em um artigo recente publicado na revista científica Nature Communications.

Que vírus é esse?

Primeiramente… o que é um vírus com cauda? Este vírus, também chamado de bacteriófago, é um tipo de vírus que infecta bactérias e possui uma estrutura característica com uma cabeça geométrica, uma cauda e filamentos de fixação.

E esta descoberta recente do Naiavírus no Brasil chamou a atenção por ele ter a maior cauda já descrita pela ciência. Ele mede cerca de 1.350 nanômetros (nm), e para encontrá‑lo, a equipe de pesquisadores analisou um total de 439 amostras até encontrar os seus sinais em uma única amostra.

E é importante destacar que este vírus infecta apenas amebas — não há indicação de que possa infectar pessoas.

A sua cauda de aparência membranosa chamou atenção por sua flexibilidade e por variar de tamanho. Os pesquisadores observaram que ela é capaz de se dobrar, esticar e encolher em resposta ao ambiente — uma característica rara entre os vírus conhecidos.

Mas não é apenas o seu tamanho que impressiona. Seu genoma traz algo totalmente novo: com genes inéditos na biologia, ao lado de genes tipicamente celulares, ligados à tradução, ribossomais e relacionados ao metabolismo de DNA e RNA.

O Naiavírus é o maior vírus com cauda conhecido, com cerca de 1.350 nanômetros (nm) de comprimento e genoma de cerca de 1 milhão de pares.

O seu genoma tem cerca de 1 milhão de pares de bases. Muitos dos genes não têm correspondência com sequências já conhecidas e codificam funções que, até então, eram associadas a células mais complexas, como bactérias e eucariotos. Cerca de 20% dos genes codificam proteínas que nunca haviam sido descritas.

Os autores do estudo associam isso a trajetórias evolutivas muito antigas; de acordo com eles, as proteínas parecem derivar de uma divergência bem precoce na história da vida.

Visão das partículas do Naiavírus. De (A) a (C), partículas purificadas do naiavírus; em (D), naiavírus no citoplasma da ameba de vida livre Acanthamoeba castellanii. Fonte: Rodrigues, et al. (2025).
Visão das partículas do Naiavírus. De (A) a (C), partículas purificadas do naiavírus; em (D), naiavírus no citoplasma da ameba de vida livre Acanthamoeba castellanii. Fonte: Rodrigues, et al. (2025).

Os pesquisadores concluíram que este vírus representa uma espécie e um gênero completamente novos na virosfera brasileira, ampliando o debate na comunidade científica. E esta descoberta pode ampliar os nossos conhecimentos sobre a evolução celular na Terra.

O interessante é que o pantanal é um dos ecossistemas mais diversos e mais ameaçados do nosso planeta, e encontrar o Naiavírus isolado por lá amplia nossa compreensão sobre a biodiversidade e mostra como este bioma ainda pode esconder segredos de valor inimaginável.

Possíveis aplicações do vírus

Além da relevância científica, é claro, os vírus gigantes oferecem potencial para aplicações médicas. Os pesquisadores já registraram uma patente que prevê o uso de vírus gigantes no controle e prevenção de infecções amebianas.

E também há iniciativas para identificar novas enzimas deles que possam ser utilizadas na biotecnologia – tanto na indústria têxtil, como na indústria de alimentos.

Referências da notícia

Naiavirus: an enveloped giant virus with a pleomorphic, flexible tail. 17 de setembro, 2025. Rodrigues, et al.

No Pantanal, pesquisadores encontram maior vírus gigante com cauda já isolado no mundo. 06 de outubro, 2025. Gabriela Nangino.

Não perca as últimas novidades da Meteored e aproveite todos os nossos conteúdos no Google Discover, totalmente GRÁTIS

+ Siga a Meteored