Todas espécies na Terra seguem a mesma regra de temperatura, e isso é uma má notícia para a mudança climática

Apesar de bilhões de anos de evolução, pesquisadores descobriram que todos os seres vivos parecem seguir exatamente a mesma regra básica em relação à temperatura, o que tem implicações preocupantes para um planeta em aquecimento.

Pesquisadores identificaram um padrão biológico comum que mostra que o desempenho melhora gradualmente com o calor, antes de cair drasticamente quando um limite crítico é ultrapassado.
Pesquisadores identificaram um padrão biológico comum que mostra que o desempenho melhora gradualmente com o calor, antes de cair drasticamente quando um limite crítico é ultrapassado.
Lee Bell
Lee Bell Meteored Reino Unido 4 min

Pesquisadores que analisaram mais de 2.500 curvas de desempenho térmico de organismos de praticamente todos os ramos da vida descobriram algo verdadeiramente bizarro: todas apresentam a mesma curva, porém deslocada.

A equipe do Trinity College de Dublin a denomina "curva de desempenho térmico universal", e as implicações para a forma como a vida lida com o aumento das temperaturas são, no mínimo, perturbadoras.

A forma que rege tudo

À medida que a temperatura aumenta, o desempenho biológico de um organismo — seja velocidade de corrida, velocidade de natação, divisão celular, etc. — melhora gradualmente até atingir um nível ótimo. Depois disso, cai drasticamente. O declínio em temperaturas mais altas é acentuado e constante, tanto para um lagarto em uma esteira quanto para uma colônia de bactérias.

O que surpreendeu os pesquisadores não foi apenas a existência dessa curva, mas também o fato de ela se manter válida para todas as espécies, com temperaturas ótimas variando de 5°C a 100°C.

Os cientistas demonstraram que a evolução modificou os limites de temperatura entre as espécies, mas não alterou a curva subjacente que rege a sobrevivência.
Os cientistas demonstraram que a evolução modificou os limites de temperatura entre as espécies, mas não alterou a curva subjacente que rege a sobrevivência.

O professor Andrew Jackson, coautor do estudo, explicou: "Em milhares de espécies e em quase todos os grupos de seres vivos, incluindo bactérias, plantas, répteis, peixes e insetos, o formato da curva que descreve como o desempenho muda com a temperatura é muito semelhante".

Ele também apontou algo mais difícil de ignorar: que a temperatura ótima e a temperatura crítica máxima na qual ocorre a morte estão intrinsecamente ligadas. Portanto, se uma espécie for levada acima de sua temperatura ótima, sua margem de sobrevivência é reduzida. Seja qual for a espécie, afirma Jackson, "ela simplesmente precisa ter uma faixa de temperatura mais estreita na qual a vida é viável, uma vez que as temperaturas excedam a temperatura ótima".

O que a evolução não conseguiu alcançar

O que é frustrante, de uma perspectiva climática, é o que isso sugere sobre adaptação. A equipe de pesquisadores afirma que a evolução essencialmente deslocou a curva — diferentes espécies prosperam em diferentes temperaturas — mas não encontrou uma maneira de mudar seu formato. A vida não decifrou o código após bilhões de anos de tentativas.

"Apesar dessa rica diversidade da vida, nosso estudo mostra que praticamente todas as formas de vida ainda são notavelmente limitadas por essa 'regra' sobre como a temperatura influencia sua capacidade de funcionar", disse um dos coautores do estudo, Dr. Nicholas Payne. "O melhor que a evolução conseguiu foi deslocar essa curva".

A equipe agora quer usar a curva como uma espécie de referência, procurando por quaisquer organismos que possam se desviar sutilmente dela. Se encontrarem algum, dizem eles, a questão de como e por que isso acontece se torna urgente, especialmente considerando para onde as temperaturas globais estão caminhando.

Referências da notícia

What goes up must come down – scientists unearth “universal thermal performance curve” that shackles evolution. 21 de outubro, 2025. Trinity College Dublin, The University of Dublin.

A universal thermal performance curve arises in biology and ecology. 22 de outubro, 2025. Arnoldi, et al.