Tempestades de inverno estão se deslocando para o norte e alterando as geleiras do Alasca, diz novo estudo

Devido às mudanças climáticas, as tempestades no Pacífico estão se deslocando para o norte, em direção aos polos, mais rapidamente do que os modelos previam, levando ao aumento do calor e ao derretimento das geleiras no Alasca.

Alasca, geleiras
Segundo um novo estudo, a trajetória das tempestades no Pacífico está se deslocando para o norte, trazendo mais calor para o Ártico e o Alasca.

Do norte ao sul do Oceano Pacífico, diversas regiões estão sendo afetadas pelas mudanças climáticas. Na Califórnia, recordes de temperatura e de secas estão sendo quebrados, enquanto no Alasca, as geleiras estão derretendo em um ritmo sem precedentes.

De acordo com um novo estudo publicado na revista Nature, a principal causa desses eventos pode ser a alteração na trajetória das tempestades sobre o maior oceano do mundo.

Por que os padrões de tempestades são importantes

A trajetória das tempestades no oceano Pacífico Norte durante o inverno é um fenômeno climatológico também influenciado por ciclos climáticos naturais. Essas tempestades geralmente se originam na Ásia, perto do Japão, e quando chegam ao Pacífico oriental, tendem a se mover na direção nordeste.

Durante o El Niño, a corrente de jato do Pacífico desloca-se para sul e as frentes de tempestade intensificam-se, levando a um aumento das chuvas no sudoeste dos Estados Unidos. Já durante o La Niña, a corrente de jato do Pacífico desloca-se para norte, fazendo com que as frentes de tempestade se intensifiquem no noroeste do Pacífico.

A trajetória das tempestades no Pacífico é crucial para o transporte de umidade e calor tanto para o Ártico como para a costa oeste da América do Norte. Estas tempestades são vitais para o abastecimento de água e para os ecossistemas. Qualquer alteração nas suas trajetórias tem efeitos de longo alcance nos ambientes marinho e terrestre.

As tempestade estão se deslocando para o norte

Pesquisas anteriores sugeriam que essas trajetórias de tempestades se deslocariam para o norte, em direção aos polos, em um mundo em aquecimento, mas esta nova pesquisa mostra que isso já está acontecendo.

Os cientistas responsáveis por este estudo analisaram dados observacionais de várias décadas e encontraram uma clara mudança em direção aos polos.

É provável que a mudança também ocorra mais rapidamente do que os modelos climáticos anteriores previram.

Seis bilhões de toneladas de gelo são perdidas todos os anos

Com o aumento do calor e da umidade no Alasca e no Ártico, crescem as preocupações com o estado da criosfera nessas regiões. As geleiras do Alasca continuam derretendo em ritmo acelerado, perdendo aproximadamente 6 bilhões de toneladas de gelo por ano. Isso ocorre porque trajetórias cada vez mais ao norte trazem mais calor e umidade para o Alasca, levando ao derretimento glacial acelerado, segundo os pesquisadores.

Há também uma interação entre a intensificação do Ártico e as mudanças climáticas. Como o Ártico aquece mais rápido que o resto do planeta, isso resulta em um gradiente de temperatura menor entre o Polo Norte e as latitudes médias. A mudança na corrente de jato e nas tempestade pode estar diretamente relacionada a essa alteração na estrutura térmica.

Esta pesquisa demonstra que as mudanças climáticas estão se manifestando globalmente de maneiras abrangentes. Compreender esses processos e aprimorar os modelos é crucial para fazer previsões climáticas futuras em todo o mundo.

Referência da notícia

Climate change shifts the North Pacific storm track polewards. 07 de janeiro, 2026. Rei Chemke e Janni Yuval.