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O "Grande Rebote" ameaça seriamente a teoria do "Big Bang"

Os cientistas explicam com a teoria do 'Big Bang' o começo de tudo. Mas um estudo recente propõe o 'Big Bounce' (o 'Grande Rebote') como o verdadeiro início do nosso universo. Saiba mais aqui.

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O 'Big Bounce' questiona a teoria do 'Big Bang'.

A criação do universo é atualmente explicada pelos cientistas através da conhecida teoria do 'Big Bang', que propõe a explosão inicial há cerca de 13.800 milhões de anos, e uma 'inflação de energia' quase instantânea e rápida em temperaturas e densidades extremamente altas.

Essa explosão inicial, seguida por uma expansão exponencial, levou a um resfriamento que ajudou a formar as primeiras partículas subatômicas que eventualmente formaram a matéria e a realidade como a conhecemos. Mas, de acordo com um estudo recente, a 'inflação cósmica' não explicaria a expansão ultrarrápida do universo primitivo.

A 'inflação cósmica' é uma das bases que sustentam a ideia do Big Bang. Quase imediatamente ap��s a explosão inicial, o universo “inflou” rápida e exponencialmente.

A teoria do 'Big Bang' é questionada

Dúvidas e suspeitas sobre a inflação cósmica e a real possibilidade de comprová-la, se acentuaram quando as primeiras medições da luz mais antiga do universo, conhecida como radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB), foram publicadas em 2013 por meio do Satélite Planck da Agência Espacial Europeia (ESA).

Naquela época, a maioria dos cientistas entendia os resultados das medições publicadas como prova da teoria da inflação cósmica, mas para alguns astrofísicos representavam o contrário. Aqueles dados expuseram que a inflação cósmica levantava mais perguntas do que respostas, e era necessário continuar buscando novas ideias sobre o início do Universo.

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Os cientistas sugerem que o estudo da natureza do universo logo após sua criação deve ser aprofundado.

Um estudo recente publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters pelo astrofísico Sunny Vagnozzi, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), e por seu colega Avi Loeb, da Universidade de Harvard (Estados Unidos), expõe que a teoria da inflação cósmica seria impossível verificar e, portanto, poderia ser rapidamente descartada como uma possibilidade de explicar a expansão do universo em seus primeiros momentos.

O problema da refutabilidade

A refutabilidade, junto com a reprodutibilidade (que é a capacidade de testar uma hipótese com dados de um experimento observável), são os dois pilares do método científico. O princípio da refutabilidade consiste em que nenhuma descoberta científica seria 100% comprovada como válida, mas permaneceria em um estado de 'não refutada'.

O paradigma do Big Bang é visado precisamente porque não há como refutá-lo, não é falsificável porque é impossível ver qualquer evidência potencial para confirmá-lo ou refutá-lo devido à natureza da luz.

'Big Bang' frente a 'Big Bounce'

No estudo publicado por Vagnozzi e Loeb, afirma-se que se a inflação cósmica fosse descartada, poderia se supôr que o universo teria começado com um 'Grande Rebote', em vez de um 'Big Bang' seria um 'Big Bounce'.

Eles explicam que o cosmos poderia ter nascido após o fim de uma fase cosmológica anterior, uma recuperação de algo anterior, e não como resultado do espaço-tempo se expandindo exponencialmente para a existência. Isso contradiz a teoria atual do Big Bang, que se baseia no fato de que não havia nada antes dele.

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Até que não vejamos o universo tal como era logo após o suposto Big Bang, não o saberemos com certeza.

A teoria do Big Bounce (que se é refutável) propõe um experimento para detectar o fundo de grávitons primordiais (uma partícula teórica como o bóson proposto em modelos de gravidade quântica), que mostra que o Big Bounce pode ser a explicação para a origem do nosso universo, sua natureza e o que existia antes.

Como descartar a teoria do Big Bang

Os cientistas sugerem que o estudo da natureza do universo logo após sua criação deve ser aprofundado, e isso é bastante complicado, pois “uma compreensão adequada do que veio antes requer uma teoria preditiva da gravidade quântica, que não possuímos”, disse Loeb.

Apesar das dificuldades, os pesquisadores não desanimaram, alguns propõem que, estudando os neutrinos (partículas quase sem peso que abundam no universo), seria possível voltar aos primórdios do universo. Os neutrinos viajam livremente sem se dispersar, desde após o Big Bang, quando a temperatura era de cerca de 10 bilhões de graus.

Mas há algo que nos aproximaria ainda mais do início de tudo. Os cientistas afirmam que se pudessem rastrear grávitons (CGB), poderiam voltar muito mais no tempo.

CGBs são partículas elementares hipotéticas que viajam livremente e podem explicar as interações gravitacionais. Este par de cientistas sugere que o fundo cósmico de CGB poderia ter existido logo após a criação do universo.

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É necessária uma tecnologia extremamente superior para detectar grávitons.

Mas segundo a teoria do Big Bang, os CGBs não podem existir, porque terão sido diluídos, a ponto de deixarem de ser detectáveis, pela inflação exponencial do universo. Talvez seja um pouco difícil de entender, mas o ponto é que, se os pesquisadores detectassem esses grávitons, eles seriam capazes de descartar totalmente a teoria do Big Bang.

Ainda há muito a ser investigado e mais avanços tecnológicos a serem desenvolvidos, para tornar possível um método de detecção de grávitons. É necessária uma tecnologia extremamente superior, de ímãs supercondutores que ainda não foram criados, mas que podem ser em um futuro próximo. Enquanto isso, o Big Bang ainda é a teoria aceita.