Manga doce e cheia de vitamina C: o segredo está na casca

Um estudo indica que a cor da casca pode ajudar a estimar a doçura e a vitamina C da manga sem abrir o fruto, mas a tecnologia ainda precisa ser testada com mais variedades, safras e condições.

A cor da casca pode oferecer pistas sobre o amadurecimento, a doçura e a composição interna da manga.
A cor da casca pode oferecer pistas sobre o amadurecimento, a doçura e a composição interna da manga.

Na feira ou no supermercado, escolher uma manga é quase um jogo de adivinhação: observa-se a cor, aperta-se levemente a casca e torce-se para que ela esteja doce.

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Um novo estudo publicado na revista npj Science of Food mostra que essa primeira pista visual pode ser mais útil quando medida com um aparelho adequado.

Nos testes, a cor acompanhou 93% das diferenças encontradas no indicador relacionado à quantidade de açúcares.

A descoberta não significa que qualquer pessoa conseguirá saber o sabor exato apenas olhando a fruta. A proposta é usar a luz refletida pela casca para estimar a doçura e a vitamina C sem abrir, furar ou desperdiçar a manga. Isso poderia facilitar a separação de lotes e ajudar a decidir quais frutos devem chegar primeiro às prateleiras.

A mudança de cor conta parte da história do amadurecimento

Os cientistas analisaram 50 mangas de duas variedades e em três estágios de maturação: 70%, 80% e 90%. Os frutos ficaram armazenados por 14 dias. Em vez de confiar somente nos olhos, a equipe encostou um aparelho em diferentes pontos da casca para medir exatamente quanta luz ela refletia e quais tons predominavam.

As leituras foram feitas no topo, meio e base, em dois lados, e cada teste foi repetido três vezes.

O amadurecimento ajuda a explicar essa relação. Ao longo do processo, a clorofila, responsável pelo verde, diminui, enquanto pigmentos amarelos e avermelhados ficam mais visíveis.

Durante o amadurecimento, a manga perde parte do tom verde enquanto pigmentos amarelos e avermelhados se tornam mais visíveis.
Durante o amadurecimento, a manga perde parte do tom verde enquanto pigmentos amarelos e avermelhados se tornam mais visíveis.

Ao mesmo tempo, parte do amido se transforma em açúcar. Por isso, a mudança externa pode acompanhar transformações que acontecem na polpa, embora uma não determine sozinha a outra.

O aparelho enxergou o que os olhos não conseguem medir

Depois de registrar a cor, os pesquisadores cortaram as mangas para conferir o resultado. A doçura foi avaliada pela quantidade de substâncias dissolvidas no suco, composta principalmente por açúcares. Esse valor variou de 7,23 a 17,71°Brix. A vitamina C, medida em laboratório, ficou entre 0,97 e 8,12 miligramas por 100 gramas.

Medições da luz refletida pela casca podem ajudar a avaliar a qualidade da manga sem cortar ou desperdiçar o fruto.
Medições da luz refletida pela casca podem ajudar a avaliar a qualidade da manga sem cortar ou desperdiçar o fruto.

Quando as medições externas foram comparadas com as análises da polpa, o modelo funcionou melhor para estimar a doçura. A passagem do verde em direção ao vermelho apresentou uma relação moderada com a quantidade de açúcares. Ainda assim, os próprios resultados mostram por que a cor deve ser tratada como pista, e não como garantia.

  • A previsão da doçura acompanhou 93% da variação encontrada nos testes internos.
  • Para a vitamina C, o modelo acompanhou 85% da variação observada.
  • Mangas menos verdes tenderam a apresentar mais açúcares, mas a relação não foi perfeita.
  • Doçura e vitamina C quase não variaram juntas, portanto uma não permite deduzir diretamente a outra.

Da bancada do laboratório para as bancas de frutas

e a técnica passar por novos testes, centrais de embalagem poderão examinar muitas mangas sem destruir nenhuma delas. Frutos poderiam ser separados por maturação, enviados ao destino no momento mais adequado e vendidos com qualidade mais uniforme.

O mesmo princípio pode interessar a outros países produtores e a diferentes cadeias de frutas frescas.

Por enquanto, porém, o resultado deve ser visto como promissor, não definitivo. As 50 amostras foram selecionadas de um grupo inicial de 125 após a retirada de valores considerados fora do padrão.

Além disso, o estudo avaliou apenas duas variedades em condições específicas e não testou o modelo em uma nova safra independente. Será preciso repetir o experimento com mais frutas, cultivares, climas e formas de armazenamento antes de levar a tecnologia ao uso comercial.

Referência da notícia

Kusumiyati, K., Sutari, W., Supratman, U. et al. (2026). Color-based prediction of mango total soluble solids and vitamin C using reflectance color measurement.