Pantanal ganha cores de ipês em meio à forte estiagem em Mato Grosso

Motoristas e visitantes que percorrem o trecho entre Poconé e Porto Jofre encontram corredores floridos formados por diferentes árvores nativas adaptadas aos extremos de seca e calor da rodovia MT-060.

Florada de ipês rosa e amarelo registrada no Pantanal. Foto: Amaury Antônio Alves dos Santos/ Sementes Caiçara
Florada de ipês rosa e amarelo registrada no Pantanal. Foto: Amaury Antônio Alves dos Santos/ Sementes Caiçara

Mesmo diante da estiagem severa que atinge o estado de Mato Grosso, a paisagem do Pantanal ganha novos tons com o florescimento das árvores nativas. Considerado a maior planície alagável do planeta, o bioma atravessa um ciclo marcado pela ausência persistente de chuvas e elevação expressiva do calor.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), os índices recentes de umidade relativa do ar oscilaram de 10% a 17% no território mato-grossense. Esses números se aproximam dos parâmetros observados no deserto do Saara, cuja faixa de umidade habitual varia entre 10% e 15%.

O papel dos ipês e o equilíbrio ambiental na estiagem

O clima seco e a baixa presença de vapor d'água ressecam a vegetação local e elevam o perigo de queimadas no bioma. Em meio a essas condições adversas, as copas floridas se destacam no horizonte e fornecem alimento aos polinizadores da fauna pantaneira.

Árvores de tarumã (Vitex cimosa) no Pantanal. Foto: Walfrido Tomas/ G1
Árvores de tarumã (Vitex cimosa) no Pantanal. Foto: Walfrido Tomas/ G1

A piúva, como também é chamado o ipê-rosa, costuma abrir suas pétalas arroxeadas e rosadas entre os meses de julho e agosto. Essa planta nativa pode ser vista tanto no Pantanal quanto em diferentes ecossistemas pelo país.

Já o ipê-amarelo, conhecido popularmente na região como paratudo ou ipê-amarelo-do-cerrado, floreia habitualmente de agosto a setembro. Essa variedade distribui-se pelo Pantanal e pelo Cerrado, atraindo animais em busca de alimento.

Ambas as árvores secretam néctar em seus ramos. Esse recurso sustenta beija-flores, abelhas e borboletas, mantendo o processo contínuo de polinização mesmo durante as semanas mais áridas da estação seca.

Diversidade de espécies nativas compõe o cenário pantaneiro

Outras árvores tradicionais integram a flora típica e exibem ciclos reprodutivos complementares ao longo dos meses. O louro-pardo atinge até 35 metros de altura e desponta com pequenos botões claros, perfumados e tubulares que atraem insetos e aves.

O cambará chega a alcançar 18 metros de porte e se desenvolve com frequência em solos sujeitos a cheias fluviais. Em locais próximos a vazantes, rios e matas ciliares, essas árvores formam agrupamentos densos conhecidos como cambarazais.

Imagens de Cambará no Pantanal. Foto: Sesc-MT/ G1
Imagens de Cambará no Pantanal. Foto: Sesc-MT/ G1

Suas ramificações carregam flores amarelas e produzem sementes que se espalham tanto pela correnteza das águas quanto pela ação dos ventos. Essa capacidade de adaptação garante a renovação constante da vegetação ribeirinha do bioma.

O tarumã floresce predominantemente de outubro a dezembro. Com pequenas inflorescências arroxeadas que produzem néctar abundante, a espécie atrai insetos como abelhas, mariposas, borboletas e beija-flores.

É possível apreciar a flora pantaneira percorrendo rodovias e caminhos que cruzam os municípios da região. A Estrada Parque Porto Cercado, localizada na MT-370, liga o município de Poconé até o distrito de Porto Cercado.

Outro roteiro procurado para registro fotográfico e observação é a Rodovia Transpantaneira, na MT-060. O trajeto se estende de Poconé até a localidade de Porto Jofre, permitindo avistar a vegetação pantaneira florindo em plena seca.

Referência da notícia

Por g1 MT. (2026). Florada de ipês colore o Pantanal durante clima de deserto em MT.