Cientistas da Universidade de York criam sensores que imitam pássaros para revolucionar a navegação
Inspirados pelas habilidades de navegação das aves marinhas, cientistas britânicos desenvolveram sensores capazes de navegar sem GPS, uma tecnologia que poderá transformar o transporte, a exploração e a segurança.

A natureza está mais uma vez ditando as regras da inovação tecnológica, graças a um grupo de cientistas das Universidades de York e Liverpool que desenvolveram um novo tipo de sensor inspirado na forma como as aves marinhas navegam em mar aberto, capaz de percorrer milhares de quilômetros sem se desorientar.
O objetivo é claro: criar sistemas de navegação que funcionem mesmo quando o GPS não estiver disponível. Essa descoberta inovadora, baseada no estudo do comportamento das aves marinhas, pode representar uma verdadeira revolução em áreas como aviação, navegação marítima e exploração em ambientes extremos.
Como os pássaros se orientam sem GPS?
Aves marinhas como a pardela-sombria (Puffinus puffinus) passaram milhões de anos aperfeiçoando suas habilidades de orientação e, diferentemente dos sistemas tecnológicos atuais, não dependem de satélites, mas utilizam sinais naturais do ambiente.
#AvedelaSemana | Pardela pichoneta (Puffinus puffinus).
— SEO/BirdLifeCanarias (@seocanar) September 19, 2023
La #pardela pichoneta solo cría en las islas #Canarias, en concreto, se conoce la reproducción fehaciente sólo en #LaPalma y #Tenerife.
Más información en nuestro 'Atlas de Aves': https://t.co/5Ql7wPyp8V pic.twitter.com/AmVYfxOiSw
Dentre os mecanismos que utilizam, destacam-se:
- O campo magnético da Terra, que funciona como uma bússola natural.
- A posição do Sol e das estrelas.
- Padrões de vento e correntes oceânicas.
- Referências visuais da paisagem.
Esse conjunto de sinais permite que eles naveguem com uma precisão surpreendente, mesmo em mar aberto, onde não há pontos de referência óbvios.
A chave do novo sensor
Os pesquisadores conseguiram traduzir esse comportamento natural em um sistema tecnológico capaz de interpretar variações no ambiente, especialmente o campo magnético da Terra, para determinar a posição e a direção.
Ao contrário do GPS, que depende de sinais externos provenientes de satélites, este sistema:
- Funciona de forma autônoma.
- Não depende de cobertura externa.
- É mais resistente a interferências ou bloqueios.
Isso o torna uma alternativa particularmente útil em situações onde o GPS pode falhar, como em áreas remotas, debaixo d'água ou em cenários de conflito.
Aplicações potenciais
As possibilidades dessa tecnologia são vastas e vão muito além da pesquisa científica. Dentre suas potenciais aplicações, destacam-se as seguintes:
- Aviação: Isso permitiria que as aeronaves mantivessem sistemas de navegação confiáveis mesmo se o sinal de GPS fosse perdido.
- Navegação marítima: especialmente útil em longas travessias oceânicas ou em regiões com baixa cobertura.
- Exploração subaquática: o GPS não funciona debaixo d'água, portanto, esse tipo de sensor pode representar um grande avanço.
- Operações de resgate e defesa: em situações onde os sinais podem sofrer interferência ou bloqueio, ter um sistema independente é fundamental.
O futuro da navegação
Embora essa tecnologia ainda esteja em desenvolvimento, os resultados iniciais são promissores. Os pesquisadores enfatizam que ela pode complementar (e até mesmo, em alguns casos, substituir) os sistemas tradicionais baseados em GPS.
Em um mundo cada vez mais dependente da tecnologia, ter sistemas de navegação mais resilientes, autônomos e seguros será fundamental nos próximos anos.
How do birds cross an ocean and land on the same rock?
— Dirac Labs (@dirac_labs) September 4, 2025
They mix several guides: Earths magnetic field, the sun, the stars, smell maps, and landmarks.
The magnetic part is the secret superpower. pic.twitter.com/sFkwnmIbiV
E, mais uma vez, a resposta pode estar na natureza: no voo silencioso dos pássaros que, sem mapas ou satélites, vêm encontrando seu caminho pelo planeta há séculos.
Referência da notícia
Seabirds could inspire new generation of GPS-free navigation technology. 23 de março, 2026. Shelley Hughes.