Calor extremo e secas recorrentes empurram a Amazônia para um novo regime climático
Amazônia enfrenta mudança climática inédita com secas recorrentes e calor extremo que ameaçam árvores, biodiversidade e o papel da floresta no equilíbrio climático global nas próximas décadas, segundo estudos recentes.

A Amazônia, maior floresta tropical do planeta, começa a operar sob um regime climático sem precedentes. Dados coletados ao longo de mais de 30 anos revelam um padrão consistente de aumento de temperatura, redução de umidade e maior instabilidade ambiental em vastas áreas da região.
Pesquisadores identificam que a combinação de secas extremas e calor persistente está empurrando o bioma para além dos limites tradicionalmente associados às florestas tropicais. Esse novo estado foi batizado de “hipertropical”, um conceito criado para descrever condições que não encontram paralelo nos registros climáticos recentes.
O fenômeno não se resume a eventos isolados. As medições indicam uma mudança estrutural no funcionamento da floresta, com impactos diretos sobre o crescimento das árvores, a dinâmica do solo e a capacidade da Amazônia de absorver dióxido de carbono da atmosfera.
Um novo regime climático em formação
O termo hipertropical surge da constatação de que os parâmetros usados até hoje para definir climas tropicais já não explicam a realidade observada. As condições atuais se assemelham mais a períodos antigos da história da Terra, quando temperatura e umidade seguiam padrões radicalmente distintos.
Modelos climáticos baseados nesses dados indicam que, até o fim do século, episódios de seca severa tendem a se tornar mais frequentes e duradouros. Mesmo meses historicamente chuvosos podem registrar déficits hídricos, ampliando o estresse sobre a vegetação.
Mortalidade, carbono e risco de colapso
Se o regime hipertropical se consolidar, a taxa de mortalidade das árvores pode crescer mais de 50%, segundo estimativas dos pesquisadores. Espécies de crescimento rápido e madeira menos densa estão entre as mais vulneráveis às novas condições ambientais.
O estudo analisou áreas afetadas por secas extremas em 2015 e 2023, ambas associadas a eventos intensos de El Niño. Apesar das diferenças geográficas e temporais, o limiar crítico de disponibilidade de água foi praticamente o mesmo, reforçando a hipótese de mudança sistêmica.
À medida que árvores morrem, o carbono antes armazenado na biomassa retorna à atmosfera, intensificando o aquecimento global e alimentando um ciclo de degradação. Embora a Amazônia seja o principal foco, regiões tropicais da África e da Ásia também podem seguir trajetória semelhante. Os cientistas alertam que reduzir emissões de gases de efeito estufa é decisivo para evitar que esse ponto crítico seja ultrapassado.
Referências da notícia
Revista Fórum. A Amazônia está entrando em um estado hipertropical nunca visto. 2025