A impressionante demonstração de luta entre humanoides que confirma a China como líder em IA aplicada

A coreografia com robôs humanoides durante o Ano Novo Lunar na China foi uma demonstração da liderança do país em inteligência artificial, controle de movimento e automação avançada.

Robôs humanoides executam uma rotina de artes marciais durante o Gala do Festival da Primavera, o programa mais assistido da China. Imagem: Divulgação/Youtube.
Robôs humanoides executam uma rotina de artes marciais durante o Gala do Festival da Primavera, o programa mais assistido da China. Imagem: Divulgação/Youtube.

Na segunda-feira (16), milhões de famílias chinesas celebraram a chegada do Ano Novo Lunar em frente à televisão e foram brindadas com algo muito além do entretenimento habitual.

Durante o Gala do Festival da Primavera, o programa de televisão mais assistido do mundo, um grupo de robôs humanoides apresentou uma rotina de artes marciais que deixou até os telespectadores mais céticos sem palavras.

Os saltos, os chutes acrobáticos, o manuseio de armas tradicionais e a coordenação perfeita foram uma verdadeira aula de robótica avançada, controle de movimento e sistemas integrados de inteligência artificial (IA).

A cena não foi acidental. Em meio à atual rivalidade tecnológica com os Estados Unidos, cada gesto público adquire um significado geopolítico. Há anos, a China coloca a robótica e a automação no centro de seu desenvolvimento econômico.

Do plano “Made in China 2025” aos objetivos específicos do 14º Plano Quinquenal, o país promove a autossuficiência tecnológica como escudo contra sanções, tarifas e restrições ao acesso a componentes críticos.

Sob as luzes do Ano Novo Lunar, os humanoides demonstraram coordenação, equilíbrio e capacidade de resposta em tempo real. Imagem: Divulgação/Youtube.
Sob as luzes do Ano Novo Lunar, os humanoides demonstraram coordenação, equilíbrio e capacidade de resposta em tempo real. Imagem: Divulgação/Youtube.

Os números comprovam essa ambição. A China responde por quase 90% das vendas globais de robôs humanoides, segundo estimativas da empresa Omdia, e analistas preveem que o mercado interno continuará aumentando nos próximos anos.

Não se trata apenas de fabricar mais, mas de dominar toda a cadeia de suprimentos, do hardware aos modelos de IA que coordenam cada movimento.

Robôs versus a diminuição da força de trabalho

Mas a apresentação também destacou outras ambições e aplicações futuras. Em um dos esquetes mais comentados da noite, uma avó interagiu com robôs que representavam seus netos ausentes.

A cena, apresentada com humor, tocou em um ponto sensível: o rápido envelhecimento da população chinesa e a redução da força de trabalho. De acordo com projeções das Nações Unidas, a população em idade ativa da China poderá diminuir em mais de 200 milhões de pessoas até 2050.

Isso revela outro lado dos humanoides: eles não são apenas símbolos de poder, mas também ferramentas para manter a produtividade em uma sociedade que envelhece.

Robôs sincronizaram movimentos complexos diante de milhões de espectadores durante as celebrações do Ano Novo Lunar chinês. Imagem: Divulgação/Youtube.
Robôs sincronizaram movimentos complexos diante de milhões de espectadores durante as celebrações do Ano Novo Lunar chinês. Imagem: Divulgação/Youtube.

O governo chinês formalizou políticas para integrar robótica e IA no cuidado com idosos, na indústria e em serviços. Essa iniciativa visa solucionar a escassez de mão de obra e evitar a desaceleração do crescimento econômico.

O evento também serviu como vitrine comercial. Diversas startups do setor — incluindo Unitree Robotics, MagicLab, Noetix e Galbot — participaram, e alguns modelos esgotaram em plataformas de e-commerce durante a transmissão. O apoio estatal e a ampla visibilidade atuam como aceleradores para investimentos e posicionamento global.

A apresentação combinou tradição cultural e tecnologia de ponta em uma demonstração pública do desenvolvimento da robótica chinesa. Imagem: Divulgação/Youtube.
A apresentação combinou tradição cultural e tecnologia de ponta em uma demonstração pública do desenvolvimento da robótica chinesa. Imagem: Divulgação/Youtube.

No entanto, o setor ainda enfrenta desafios. Os robôs humanoides atuais não atingem a eficiência de um trabalhador humano em tarefas complexas, e sua relação custo-benefício em ambientes industriais permanece um tema de debate.

O verdadeiro salto a frente não é apenas físico, mas também cognitivo: permitir que as máquinas compreendam comandos complexos, se adaptem a ambientes em constante mudança e executem processos completos sem supervisão humana constante.

É aí que está a competição mais acirrada. Em um mundo fragmentado por tensões comerciais e corridas tecnológicas, quem dominar a robótica avançada não só terá fábricas mais eficientes, como também influência estratégica.

Sob as luzes do Ano Novo Lunar, a China apresentou uma visão de futuro onde sensores e algoritmos já fazem parte de sua identidade nacional.