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Uma alta pressão pode provocar chuva no Brasil?

A sigla ASAS faz referência à Alta Subtropical do Atlântico Sul. Ela é conhecida por desfavorecer as condições para chuva, se tornando uma “vilã” para agricultores e para o setor energético, mas nem sempre esse sistema impede as chuvas, como tudo em meteorologia, cada caso é um caso.

César Ferreira Soares César Ferreira Soares 01 Out. 2018 - 15:35 UTC
São Paulo em um dia seco de inverno

A circulação geral da atmosfera proporciona a formação de diversos sistemas meteorológicos que são semi-permanentes, ou seja, seu posicionamento varia pouco ao longo de um grande período.

Graças ao aquecimento diferencial na região equatorial, que dá origem à Zona de Convergência Intertropical, o ar sobe nessas áreas e desce nas latitudes subtropicais, em torno de 30°. Isso faz com que sistemas de alta pressão atmosférica sejam formados com maior facilidade nessa área, gerando assim os sistemas semi-permanentes como a Alta dos Açores, Alta Subtropical do Pacífico Sul e a Alta Subtropical do Atlântico Sul, e é exatamente sobre esta que iremos tratar.

Alta Subtropical do Atlântico Sul

Como todo sistema de alta pressão, a ASAS tem uma região central na qual há a subsidência do ar, isto é, o ar seco entre 5 e 8 km de altura é empurrado para a superfície e impede a formação de nuvens de chuva. Durante os meses de inverno é muito comum que este sistema esteja atuando sobre centro do Brasil, o que faz com que os volumes de chuva diminuam muito, o que não é comum, é que este sistema atue durante os meses de verão, que é o período chuvoso para o Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

Esquema das altas semi-permanentes próximas à América do Sul

No entanto, a ASAS normalmente se posiciona sobre o Oceano Atlântico Sul durante esse período de verão, o que faz com que as frentes frias demorem um pouco mais para se movimentar e se deslocar para alto mar, ou seja, neste caso, a Alta Subtropical do Atlântico Sul age de uma forma que mantém a chuva sobre as áreas centrais do país, auxiliando até mesmo na formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Neste segundo caso, a ASAS deixa o seu papel “vilã anti-chuva” afinal seu posicionamento muda completamente a sua função.

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