A climatologia das frentes frias na América do Sul

Um sistema frontal é definido como a região de transição entre duas massas de ar que estão em deslocamento e possuem diferentes características de temperatura e umidade. Estes sistemas afetam o tempo na América do Sul ao longo de todas as estações do ano.

Davi Moura Davi Moura 22 Jun. 2019 - 11:23 UTC
As geadas causadas pelas frentes frias já foram responsáveis pelo deslocamento do cultivo do café no Brasil.

Os sistemas frontais estão associados aos ciclones extratropicais que nascem em regiões de latitudes médias, onde há fortes gradientes de temperatura (variação meridional). A frente fria ocorre no setor frio do ciclone, mais precisamente na transição entre da massa de ar de origem polar (que se desloca em direção ao equador) e a massa de ar quente tropical. Para identificar uma frente fria alguns critérios são adotados:

  • Intenso gradiente de temperatura.
  • Inversão na direção dos ventos após a passagem.
  • Aumento na pressão atmosférica após a passagem do sistema.
  • Queda na temperatura após a passagem do sistema.
  • Queda na umidade relativa após a passagem do sistema.
  • Presença dos Jatos de altos níveis.
  • Banda de nebulosidade com ocorrência de precipitação convectiva.
  • Cavado associado ao ciclone extratropical.

Uma frente fria é simbolizada em um mapa meteorológico como uma linha de cor azul com triângulos. A presença de uma frente fria indica que o ar frio está avançando e forçando o levantamento de ar quente. Isso ocorre porque o ar frio é "mais pesado" ou mais denso que o ar quente. Após a passagem da frente fria, o ar frio substitui o ar quente na superfície.

Na América do Sul, é extremamente comum o deslocamento de frentes frias, principalmente no leste da Argentina e do Uruguai, onde há uma média de 40 passagens de frentes frias por ano. Climatologicamente, esta região do leste da Argentina e do Uruguai possuem fortes gradientes de temperatura que auxiliam na formação de Ciclones Extratropicais. No Chile, as frentes frias se deslocam pelo Oceano Pacífico e tendem a atingir o litoral sudoeste do país.

Cavalcanti e Kousky (2003) analisaram as passagens de frentes frias sobre a América do Sul utilizando dados de reanálise entre os anos de 1979 e 2000. Eles apontaram que existe uma variabilidade sazonal na frequência de frentes frias, com um máximo no inverno, início da primavera e um mínimo no verão.

Frentes Frias no Brasil

Geralmente, as frentes frias que atingem o Brasil nascem próximo a costa leste da Argentina e do Uruguai. Os sistemas entram pelo sul do país e tendem a seguir próximo do litoral leste, onde em raros casos podem alcançar o nordeste do Brasil. Também em casos raros, frentes frias podem atingir o Norte do país na região da Amazônia. O evento é conhecido como friagem e normalmente ocorre entre maio e agosto. Nestes eventos raros do norte e nordeste, os sistemas frontais apresentam impactos muito sutis devido à perda das características da massa de ar fria ao longo do seu deslocamento.

O extremo sul do Rio Grande do Sul chega a receber uma média de 35 passagens de frentes frias por ano. Para os outros estados da região sul e o leste de São Paulo, a média é de 25 a 30 passagens por ano.

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