Foguete com propulsão híbrida: projeto de estudantes da USP chama atenção pela inovação

Projeto desenvolvido na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) fez o lançamento do primeiro foguete impulsionado por um motor de propulsão híbrida. Saiba aqui os detalhes.

Imagem do lançamento do foguete com motor de propulsão híbrida. Crédito: Divulgação/Projeto Jupiter.
Imagem do lançamento do foguete com motor de propulsão híbrida. Crédito: Divulgação/Projeto Jupiter.

Um projeto de extensão desenvolvido por alunos da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), voltado para a criação de foguetes experimentais e tecnologias aeroespaciais, fez o primeiro lançamento de um foguete impulsionado por motor de propulsão híbrida.

Trata-se de um marco para o país, este tipo de tecnologia ainda é pouco explorada no meio universitário brasileiro.

Acompanhe a seguir mais detalhes deste projeto inovador.

O primeiro foguete de propulsão híbrida do país

O Projeto Jupiter é um grupo multidisciplinar de projetos aeroespaciais da Poli-USP. Seu foco é o desenvolvimento de foguetes experimentais para competições no Brasil e também no exterior, com o objetivo de estimular o interesse pelo ramo aeroespacial.

E o projeto realizou no dia 4 de abril o primeiro lançamento do foguete Elara II, impulsionado por um motor de propulsão híbrida. O foguete foi colocado em configuração de voo por volta das 12h e o lançamento em si ocorreu às 18h06 (horário local).

O lançamento ocorreu no campus da USP em Pirassununga, com o apoio da Academia de Força Aérea para a liberação do espaço aéreo.

“Este marco representa um avanço relevante, uma vez que essa tecnologia ainda é pouco explorada no contexto universitário brasileiro” - disse Samuel Santos, estudante de Engenharia Mecânica da Poli, em entrevista.

O objetivo do lançamento foi colocar em prática vários sistemas, incluindo o voo com propulsão híbrida, a validação de um sistema de frenagem aerodinâmica, a verificação do desempenho do sistema de abertura dos paraquedas, a avaliação da integridade estrutural da fuselagem e o treinamento operacional da equipe.

Segundo os pesquisadores do projeto, a etapa mais crítica do processo foi o abastecimento do tanque de oxidante, que exigiu várias intervenções e impactou diretamente o cronograma de lançamento.

O voo ficou abaixo do desempenho esperado, especialmente devido ao nível de oxidante na decolagem, que foi inferior ao planejado. O foguete acabou atingindo uma altitude menor do que a prevista, mas o sistema de recuperação foi acionado normalmente e permitiu que o foguete retornasse ao solo.

A equipe se preparando para o lançamento do foguete. Crédito: Divulgação/Projeto Jupiter.
A equipe se preparando para o lançamento do foguete. Crédito: Divulgação/Projeto Jupiter.

Mas qual o diferencial deste tipo de motor? Os pesquisadores do projeto explicaram na entrevista que, do ponto de vista técnico, os motores híbridos usam combustível sólido e oxidante líquido, oferecendo vantagens em relação aos motores sólidos tradicionais, como uma maior segurança operacional e maior controle do empuxo durante o voo.

O estudante Samuel ainda comentou: “O desenvolvimento e o voo desse sistema representam não apenas um marco para o grupo, mas também a consolidação de quase dez anos de pesquisa e de uma capacidade de engenharia avançada construída pelos próprios alunos”.

A equipe do projeto Jupiter atualmente está se preparando para participar do International Rocket Engineering Competition (IREC), no Texas (EUA), em junho deste ano, onde representará o Brasil mais uma vez no 'mundial de foguetes'.

Referência da notícia

Estudantes lançam primeiro foguete da USP com motor de propulsão híbrida. 10 de abril, 2026. Jornal da USP.

Não perca as últimas novidades da Meteored e aproveite todos os nossos conteúdos no Google Discover, totalmente GRÁTIS

+ Siga a Meteored