De onde vem a grama dos estádios? Fazendas do interior de SP produzem a mesma variedade usada na Copa
No interior de São Paulo, a Itograss cultiva variedades de grama presentes em estádios da Copa de 2026, mas não exporta o tapete instalado: a competição revela uma cadeia agrícola altamente especializada que sustenta o futebol moderno.

A bola pode até concentrar os olhares, mas parteto produção de gramados esportivos. No interior de São Paulo, a Itograss cultiva variedades de alta performance que também aparecem em estádios preparados para receber jogos da Copa do Mundo de 2026.
O que nasce em São Paulo é a mesma tecnologia vegetal encontrada em arenas do Mundial, como a NorthBridge Bermudagrass, variedade presente no Estádio Akron, em Guadalajara, no México. Às vésperas da competição, a história aproxima agricultura, pesquisa genética e futebol.
Do campo paulista aos gramados de alto desempenho
Com sede em Tremembé e produção também na região de São José dos Campos, a Itograss atua em um mercado pouco percebido pelo torcedor: o cultivo de grama natural destinada a estádios, centros de treinamento e áreas esportivas.
Entre as variedades trabalhadas pela empresa estão a tradicional Tifway 419 e a mais recente NorthBridge, ambas pertencentes ao grupo das Bermudas.

A NorthBridge foi desenvolvida nos Estados Unidos pela Oklahoma State University e licenciada mundialmente pela Sod Solutions. No Brasil, sua produção comercial representa a chegada de uma variedade selecionada para suportar pisoteio intenso, cortes baixos e rápida recuperação. Essas características ajudam a formar superfícies mais densas e uniformes, fundamentais para que a bola role com regularidade e os atletas encontrem maior estabilidade durante o jogo.
A mesma variedade da Copa, mas produzida perto dos estádios
Na Copa de 2026, a NorthBridge será utilizada no gramado do Estádio Akron, em Guadalajara. No entanto, o tapete instalado na arena mexicana foi produzido localmente pela Pasto Santa Cruz, empresa especializada em gramados esportivos no México. A decisão de cultivar a grama mais perto do estádio reduz custos logísticos e evita barreiras fitossanitárias envolvidas no transporte internacional de material vegetal.

O torneio contará com diferentes produtores e variedades, escolhidos de acordo com clima, estrutura das arenas e exigências técnicas de cada campo. Entre os exemplos já identificados estão:
- Pasto Santa Cruz, no México: forneceu gramado do tipo Bermuda para Guadalajara e Monterrey;
- Carolina Green Turf Farm, nos Estados Unidos: produziu o gramado instalado no estádio de Nova York/Nova Jersey, sede da final;
- Green Valley Sod, no Colorado: cultivou grama destinada a arenas como Dallas, Atlanta e Houston;
- Tuckahoe Turf Farms, em Nova Jersey: aparece associada aos campos de Boston e Filadélfia.
A diversidade de fornecedores mostra que não existe uma única “grama da Copa”. O padrão buscado pela FIFA envolve regularidade, segurança e resistência ao uso intenso, mas cada estádio recebe soluções compatíveis com seu ambiente e sua infraestrutura.
Grama esportiva também é agricultura de precisão
Para chegar a um estádio, a grama passa por um ciclo agrícola longo. A produção pode levar de 12 a 18 meses, período em que as plantas precisam formar não apenas folhas visualmente uniformes, mas também raízes resistentes à retirada do solo, ao transporte, à instalação e à sequência de partidas.
O manejo continua depois da instalação. Em gramados de alto rendimento, equipes acompanham umidade do solo, densidade da cobertura, firmeza da superfície e altura do corte.
Até a irrigação pouco antes de uma partida pode ser calculada para alterar a velocidade da bola, sem comprometer a segurança dos jogadores.
Referências da notícia
Pitch installation completed at FIFA World Cup 2026™ final venue. 8 de maio, 2026. Inside FIFA.
Itograss lança com exclusividade no Brasil a grama da Copa do Mundo 2026. 17 de julho, 2025. Itograss.
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