Como o centro da Via Láctea se formou? Nova simulação traz pistas sobre o processo
Nova pesquisa busca explicar a origem de estruturas observadas apenas recentemente no centro da Via Láctea e de outras galáxias.

A Via Láctea é uma galáxia espiral formada por diferentes componentes, incluindo o disco estelar, o bojo central, o halo e uma região nuclear densa. No centro da galáxia encontra-se o buraco negro supermassivo Sagittarius A, cercado por uma população concentrada de estrelas e gás.
Apesar dos avanços nas observações e nas simulações, ainda não conhecemos completamente o processo que levou à formação e evolução da Via Láctea. A galáxia cresceu ao longo de bilhões de anos por processos como acreção de gás, formação estelar e fusões com outras galáxias e sistemas menores.
Novas simulações estão ajudando a reconstruir a evolução da região central de galáxias semelhantes à Via Láctea. Esses modelos permitem acompanhar a dinâmica das estrelas, do gás e do potencial gravitacional durante bilhões de anos. Os resultados oferecem novas pistas sobre o núcleo e o disco.
O centro da Via Láctea
O centro da Via Láctea possui uma estrutura dominada por um bojo estelar e uma barra galáctica que é uma concentração de estrelas que atravessa a região central do disco. A barra se estende por alguns milhares de anos-luz e influencia a distribuição e a dinâmica do gás e das estrelas em suas proximidades.
Os principais braços espirais da Via Láctea não partem diretamente do buraco negro, mas estão conectados ao disco galáctico e às extremidades da barra. A rotação diferencial do disco e a distribuição de massa contribuem para a organização desses braços, que concentram gás, poeira e regiões de formação estelar.
A barra galáctica
A barra estelar desempenha um papel na evolução da região interna da galáxia ao atuar como um mecanismo de transporte de gás em direção ao centro. Na simulação, ela funciona como uma espécie de “esteira cósmica”, canalizando material do disco para o centro.

A simulação também mostra que a formação dessas estruturas ocorre de maneira dinâmica e prolongada, e não como um evento único. À medida que o gás se concentra na região central, o feedback produzido por estrelas em seus estágios finais gera choques que desencadeiam novos episódios de formação estelar.
Relação do núcleo e do disco galáctico
A relação entre o aglomerado estelar nuclear e o disco estelar nuclear pode ser mais próxima do que as observações sugerem. A aparente diferença entre essas estruturas não necessariamente indica populações estelares com idades, composições químicas ou movimentos distintos.
A simulação mostra que essa relação muda naturalmente ao longo do tempo. Durante períodos prolongados de formação estelar, as massas e os tamanhos relativos do aglomerado e do disco evoluem em ritmos diferentes, fazendo com que eles pareçam cada vez mais distintos.
Papel da matéria escura
A matéria escura forma um halo extenso que envolve a galáxia e domina sua massa total. Sua distribuição gravitacional influencia a rotação do disco e a dinâmica das estrelas, do gás e da própria barra galáctica. Representar a matéria escura como um componente dinâmico é importante.

Na nova simulação, a matéria escura foi representada por partículas dinâmicas, permitindo que o halo respondesse gravitacionalmente à evolução da barra. Essa abordagem possibilitou a formação natural de uma barra que evolui ao longo do tempo e posteriormente contribui para o surgimento das estruturas nucleares.
Referência da notícia
Kwak et al. (2026). SMUGGLE-Ring: Evolutionary link between nuclear star cluster and nuclear disk.