Afinal, qual é o tamanho da maior galáxia do Universo? Novo estudo responde

Imagens obtidas da galáxia IC 1101 revelaram o verdadeiro limite da maior galáxia conhecida, com cerca de 1,7 milhão de anos-luz de diâmetro.

Novas observações confirmaram oficialmente a IC 1101 como a maior galáxia conhecida do Universo. Crédito: de la Rosa et al. 2026
Novas observações confirmaram oficialmente a IC 1101 como a maior galáxia conhecida do Universo. Crédito: de la Rosa et al. 2026

As maiores galáxias do Universo são as chamadas galáxias elípticas gigantes ou supergigantes, localizadas no centro de grandes aglomerados de galáxias. Esses sistemas podem conter trilhões de estrelas e se estender por mais de um milhão de anos-luz, superando em muito o tamanho de galáxias espirais.

Entre esses objetos, a IC 1101 é considerada há décadas uma das maiores galáxias conhecidas. No entanto, sua baixa luminosidade nas regiões mais externas dificultava determinar exatamente onde terminava sua estrutura, fazendo com que diferentes estudos apresentassem estimativas diferentes.

Agora, um novo estudo baseado nas imagens mais profundas já obtidas da IC 1101 conseguiu identificar sua borda externa com maior precisão. Os pesquisadores concluíram que a galáxia possui aproximadamente 1,7 milhão de anos-luz de diâmetro, sendo a maior galáxia conhecida.

Formação hierárquica

No modelo cosmológico, as galáxias evoluem por meio da chamada formação hierárquica, na qual pequenos sistemas se formam primeiro e, ao longo de bilhões de anos, crescem por fusões e pela acreção de gás e matéria escura. Cada interação gravitacional aumenta a massa estelar e o halo de matéria escura.

Esse processo é um dos principais mecanismos responsáveis pela evolução das estruturas em grande escala do Universo.

Nos centros de aglomerados de galáxias, esse crescimento é mais intenso, dando origem às chamadas Brightest Cluster Galaxies (BCGs). BCGs são as galáxias mais brilhantes e massivas de um aglomerado. Elas acumulam matéria ao incorporar galáxias satélites por meio de sucessivas fusões.

IC 1101

A IC 1101 é uma galáxia elíptica gigante localizada no centro do aglomerado de galáxias Abell 2029. Ela está a aproximadamente 1 bilhão de anos-luz da Terra, na direção da constelação de Virgem. Ela é caracterizada por um núcleo muito brilhante envolvido por um halo estelar extenso.

A IC 1101 possui cerca de 1,7 milhão de anos-luz de diâmetro, aproximadamente 17 vezes o tamanho da Via Láctea. Crédito: Fernando de Gorocica
A IC 1101 possui cerca de 1,7 milhão de anos-luz de diâmetro, aproximadamente 17 vezes o tamanho da Via Láctea. Crédito: Fernando de Gorocica

A IC 1101 está entre as maiores galáxias conhecidas e abriga um dos maiores buracos negros supermassivos já identificados. Estimativas indicam que ela pode conter dezenas de trilhões de estrelas. Seu halo estelar é tão extenso que, se ocupasse a posição da Via Láctea, envolveria as Nuvens de Magalhães.

Tamanho real da IC 1101

Recentemente, um grupo de astrônomos realizou as imagens mais profundas já obtidas da IC 1101 que permitiu identificar, pela primeira vez, a borda externa da galáxia com alta precisão. Para isso, a equipe removeu a contribuição de mais de 250 estrelas presentes no campo de visão, revelando estruturas mais tênues.

Com essa nova medição, a IC 1101 passou a ter um diâmetro confirmado de aproximadamente 520 quiloparsecs, ou cerca de 1,7 milhão de anos-luz. Os pesquisadores estimam que ela contenha aproximadamente 3,4 trilhões de massas solares em estrelas.

Por que ela cresceu tanto?

O motivo de ela ter crescido tanto foi ter fusões com galáxias menores durante toda a sua vida e as novas observações indicam que a IC 1101 ainda não concluiu esse processo. Os pesquisadores também identificaram oito estruturas estelares que são evidências de acreção contínua de matéria.

A IC 1101 continua crescendo ao incorporar estrelas e pequenas galáxias por meio de processos contínuos de acreção e fusões gravitacionais. Crédito: NASA
A IC 1101 continua crescendo ao incorporar estrelas e pequenas galáxias por meio de processos contínuos de acreção e fusões gravitacionais. Crédito: NASA

Estudos anteriores já haviam sugerido que ocorreu uma colisão entre o aglomerado e outro grupo de galáxias há aproximadamente 2 a 3 bilhões de anos. Em conjunto, essas evidências indicam que a maior galáxia conhecida continua aumentando sua massa e seu halo estelar.

Referência da notícia

de la Rosa et al. (2026). How large can galaxies be? Ultra-deep imaging of IC 1101, the most extended known galaxy.