Vulcão Ubinas entra em erupção no Peru

Na sexta-feira (19/07) o vulcão Ubinas entrou em erupção no sul do Peru, expelindo grande quantidade de cinzas e gases na atmosfera. Até o momento o vulcão permanece em atividade e já fez com que 30 mil pessoas deixassem suas casas.

Paola Bueno Paola Bueno 23 Jul. 2019 - 11:35 UTC
Vulcão Ubinas em plena atividade expelindo cinzas no domingo, dia 21/07. Foto: Estación bcp Meteorología/ Twitter.

Ubinas, o vulcão mais ativo do Peru, e um dos mais ativos e perigosos da América Latina, localizado na região de Moquegua, no sul do Peru, entrou em erupção na última sexta-feira, dia 19/07. A nuvem de cinzas e gases obrigou a retirada de milhares de pessoas das proximidades e alcançou países vizinhos como a Bolívia e Brasil.

Desde o início do mês o Instituto Geofísico Do Peru (IGP) tem registrado sinais de atividade do vulcão Ubinas, através da emissão constante de cinzas. Até que na madrugada de sexta-feira, as 2h35 da manhã na hora local, ocorreu uma erupção explosiva que lançou cinzas a mais de 5 km de altura. Durante esse dia o IGP registrou um total de 3 explosões vulcânicas que geraram energias equivalentes a terremotos de magnitude de 5.8, 5.3 e 4.1!

O governo declarou estado de emergência em 12 distritos no sul do país, retirando 29,7 mil pessoas de suas casas. O maior número de desabrigados está em Puno, que faz fronteira com a Bolívia, onde 19 mil pessoas deixaram suas casas. Em Moquegua foram outras 9,2 mil. As cinzas também cobriram 617 escolas e 20 unidades de saúde nas regiões de Moquegua, Arequipa, Tacna e Puno.

Partes dos gases expelidos, como o dióxido de enxofre (SO2) e as cinzas, chegaram ao Brasil no sábado (20/07), sobre áreas do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. No final de semana algumas companhias aéreas tiveram que cancelar voos devido a cinzas do vulcão que, além de prejudicar a visibilidade, também danificam os motores das aeronaves a ponto dos equipamentos não funcionarem corretamente ou até pararem.

Até essa segunda-feira (22/07) o vulcão permanece ativo emitindo cinzas constantemente em alturas de até 2 km. O IGP mantém o alerta laranja, um nível abaixo do alerta vermelho máximo, indicando um processo eruptivo moderado com alta probabilidade de novas explosões ocorrerem a qualquer momento.

Os impactos dessa erupção na atmosfera

Como já explicado em artigo anterior, os vulcões são capazes de alterar o tempo e o clima, tanto localmente quanto globalmente. Porém, nem toda erupção consegue gerar um impacto global, seu impacto depende da intensidade e duração da erupção, além dos compostos químicos emitidos.

Para gerar impacto global a erupção precisa injetar uma grande quantidade de material e partículas na estratosfera, camada vertical da atmosfera localizada acima da troposfera, situada entre 15 a 50 km de altura. Quando a erupção não é tão intensa e fica retida na troposfera, como a atual erupção do vulcão Ubinas, os impactos mais significativos são locais e consistem em: redução da visibilidade, prejuízos a saúde humana e animal e diminuição da variação de temperatura diária.

Parte das cinzas até podem alcançar a estratosfera e serem transportadas para outros locais através dos ventos de altos níveis, como foi o caso das cinzas detectadas aqui no Brasil. Porém, como elas estão em altos níveis, não há grandes consequências, além das modificações do tráfego aéreo e alterações das cores do pôr do sol, já que as partículas da pluma de cinzas refletem mais os raios solares, deixando o céu com tons mais alaranjados, rosados ou violeta.

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