Tempestade Adrián: Inundação recorde em Veneza e danos por toda Europa Central

A tempestade Adrián causou serveros danos na Europa, da região do Sul da França até a Inglaterra. Inundação recorde em Veneza, fatalidades em várias regiões da Itália, nevasca na França e região dos Alpes. Conheça a primeira tempestade nomeada da temporada no Mediterrâneo.

Carolina Barnez Carolina Barnez 02 Nov. 2018 - 07:36 UTC
A inundação chegou a 1,56 m em alguns pontos de Veneza (Itália). Créditos: El País/Stefano Mazzola/Awakening(Getty Images)

A cidade de Veneza é famosa por seus canais de água salgada. Seu desenvolvimento em ilhas e estruturas artificiais sobre o mar Adriático, no nordeste da Itália, faz com que Veneza seja uma cidade engenhosa, mas bem susceptível às marés e tormentas. Nessa última semana, o nível do mar subiu 1,56 metros na segunda-feira (29), fazendo 75% da cidade ficar embaixo da água devido a ação conjunta da maré alta e com os efeitos da tempestade Adrián.

Acqua Alta: as grandes inundações de Veneza

Acqua Alta é o nome dado as marés altas extremas que ocorrem periodicamente em Veneza. A maré é considerada extrema na cidade quando o nível do mar ultrapassa 90 cm. As maiores inundações registradas foram em 1966, quando o nível do mar subiu 1,95 metros, e em 2008, quando o nível chegou a 1,56 metros - igual a marcação deste ano.

A Basílica de São Marcos, um dos principais pontos turísticos da cidade, foi inundada e o altar principal ficou mais de 16 horas submerso. Carlos Alberto Tesserin, encarregado da preservação da Basílica, disse para ANSA, principal agência de notícias da Itália, que a igreja "envelheceu 20 anos em 1 dia". Nessas condições extremas, passarelas provisórias são instaladas nos principais pontos da cidade, mas a maior parte dos serviços públicos são suspensos.

Tempestade Adrián: a primeira da temporada do Mediterrâneo

O que intensificou o efeito da maré alta foram os ventos e chuva intensos associados ao ciclone Adrián, que chegou à Itália no domingo (28). Adrián é a primeira tempestade do Mediterrâneo a ser nomeada nessa temporada - apenas ciclones muito intensos são nomeados na região desde 2017, em uma iniciativa conjunta das agências de meteorologia portuguesa, francesa e espanhola. O sistema ciclônico foi nomeado oficialmente pela Météo-France, já que se desenvolveu nas proximidades da ilha de Córsega, França.

Os danos causados pelo Adrián se estenderam por toda Itália. Até quarta-feira (30), 11 mortes haviam sido reportadas no país. Houveram também registros de quedas de árvores, fechamento de aeroportos e interrupção no fornecimento de energia elétrica em algumas regiões. Na França houve muitos naufrágios e a praia de Nice, famosa por ser pedregosa, agora parece ser arenosa. Além disso, em parte da França e na região dos Alpes houveram nevascas fortíssimas, o que prejudicou transporte e infraestrutura local. Adrián segue em direção norte já enfraquecido, porém ainda causando muitas chuvas em toda Europa central e Reino Unido.

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