Seca extrema faz Acre decretar situação de emergência no estado
Com a previsão de agravamento do El Niño no segundo semestre de 2026, pesquisadores e autoridades do Acre alertam que a seca prolongada exigirá campanhas intensas de uso racional da água e ações contra queimadas e incêndios florestais.

O governo do Acre decretou situação de emergência em todo o território estadual nesta segunda-feira (3). A medida foi tomada em resposta à seca severa e ao risco iminente de desabastecimento hídrico que ameaça as cidades e o cotidiano da população.
Assinado pela governadora Mailza Assis e publicado no Diário Oficial do Estado, o decreto estabelece validade de 180 dias para a execução de medidas preventivas. Antes dessa decisão estadual, a prefeitura da capital, Rio Branco, já havia decretado estado de alerta em 28 de julho devido ao estio.
Riscos climáticos e impactos na infraestrutura
A deterioração das condições meteorológicas está ligada ao retorno do fenômeno El Niño, que deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026. Segundo os dados apurados pelo Monitor de Secas, cerca de 66,7% da área do estado já registrava seca no período compreendido entre janeiro e junho.
Além dos problemas de logística regional, a estiagem gera forte prejuízo econômico aos pescadores artesanais e produtores de aquicultura. A menor disponibilidade hídrica altera drasticamente a qualidade da água dos reservatórios e estimula a mortalidade de peixes, comprometendo a segurança alimentar da população dependente do setor.
Na área da educação, a diminuição do fluxo dos rios coloca em risco a continuidade do calendário escolar em regiões de difícil acesso terrestre. Com a inviabilidade do transporte aquático de estudantes, o fluxo das aulas fica interrompido e a distribuição da merenda escolar sofre severos atrasos nas comunidades mais distantes.
Vulnerabilidade social e queimadas na região
A crise ambiental atinge em especial os grupos sociais mais vulneráveis do estado. Conforme levantamentos oficiais das autoridades, a seca extrema ameaça isolar 36 terras indígenas, 246 aldeias e 16 povos nativos diferentes, reduzindo a oferta de água potável e a disponibilidade de remédios nas aldeias.
Outro fator de apreensão é a proliferação de focos de queimadas e incêndios florestais impulsionados pelo ar seco. Diante desse cenário, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil assumiu a coordenação de todas as operações de emergência. A entidade ficará responsável por monitorar os indicadores hidrológicos e prestar auxílio direto às administrações municipais para a elaboração e aplicação de planos de contingência.
O decreto governamental autoriza a liberação de recursos orçamentários para instalar abrigos temporários, adquirir insumos essenciais e contratar frota de caminhões-pipa para o fornecimento comunitário de água. Em casos de perigo direto, equipes da defesa civil têm autorização constitucional para acessar imóveis particulares e efetuar evacuações compulsórias.
O plano de assistência determina prioridade absoluta de atendimento para unidades de saúde, escolas e populações ribeirinhas ou rurais isoladas. Adicionalmente, as campanhas oficiais buscarão alertar sobre o "uso racional da água, prevenção de queimadas e cuidados com os efeitos do calor e da baixa umidade do ar sobre a saúde", conforme destaca o documento.
Referência da notícia
Tayana Narcisa. (2026). Acre decreta situação de emergência devido à seca severa.