Praia de mais de 200 km no RS reúne navio encalhado, missão da Nasa e histórias de naufrágios
Localizada no extremo sul do Brasil, Praia do Cassino chama atenção pela extensão de sua faixa de areia e guarda episódios envolvendo naufrágios, foguetes, turismo, ciência e ultramaratonas.

Uma faixa praticamente contínua de areia que se estende por mais de 200 quilômetros no litoral do Rio Grande do Sul guarda histórias que vão muito além do turismo. A Praia do Cassino, no município de Rio Grande, reúne naufrágios, experimentos científicos e até uma missão realizada pela Nasa na década de 1960.
Conhecida como uma das praias mais extensas do planeta, a região acompanha parte do litoral sul brasileiro em direção à fronteira com o Uruguai. A dimensão da faixa de areia ajudou a transformar o local em atração turística e também criou condições para atividades esportivas e científicas pouco convencionais.
Por muitos anos, circulou a informação de que a Praia do Cassino teria entrado para o Guinness Book em 1994 como a maior praia do mundo. Não há, porém, registro desse reconhecimento nas edições oficiais da publicação. A plataforma especializada em geografia World Atlas atribui ao local o título de maior extensão contínua de areia do planeta.
Naufrágios fazem parte da paisagem
A história da navegação na região ajuda a explicar outra característica da praia: os vestígios de embarcações que naufragaram ou encalharam em suas proximidades. Há registros de pelo menos 53 acidentes marítimos ocorridos entre 1776 e 2004 ao longo desse trecho do litoral gaúcho.

Um dos casos mais conhecidos é o do Altair, cargueiro de origem grega que encalhou durante uma tempestade em 1976. Parte da embarcação permanece visível na faixa de areia e, com o passar das décadas, transformou-se em um dos pontos turísticos mais conhecidos da Praia do Cassino.
Outra história remonta ao fim do século 19. Em 1897, o navio Sarita teria sido encalhado propositalmente pelo comandante Cosmo Marasciulo. O objetivo seria receber uma indenização do seguro da embarcação, episódio que passou a integrar o conjunto de histórias e curiosidades marítimas associadas à região.
Praia virou base para missão da Nasa
A extensa faixa de areia também teve papel na pesquisa espacial. Em 1966, a Praia do Cassino serviu como base para uma operação que contou com a participação da Nasa e teve como objetivo estudar um eclipse solar. Ao todo, 14 foguetes foram lançados durante a missão científica.

A operação aproveitou as características geográficas da região para a realização dos experimentos. O episódio inseriu o litoral de Rio Grande em um capítulo pouco conhecido da história da exploração espacial e da cooperação científica internacional realizada em território brasileiro.
Décadas depois, a ligação do local com atividades científicas permanece entre as curiosidades que atraem visitantes. O histórico de lançamentos de foguetes se soma aos naufrágios e à dimensão da praia como elementos que diferenciam o destino de outras áreas do litoral do país.
Extensão desafia atletas
Os mais de 200 quilômetros de areia também servem de cenário para competições esportivas de resistência. Entre elas está a Cassino Ultra Race, ultramaratona que explora as grandes distâncias e as condições naturais da região.
A competição possui modalidades que podem chegar a 460 quilômetros, impondo aos participantes desafios como vento, variações de temperatura, umidade e longos percursos pela areia. As características que ajudaram a tornar a praia conhecida internacionalmente também funcionam, nesse caso, como obstáculos naturais aos atletas.
Entre recordes geográficos controversos, restos de embarcações, lançamentos de foguetes e provas de resistência, a Praia do Cassino reúne diferentes capítulos da história do extremo sul brasileiro. Mais do que sua extensão, são essas histórias espalhadas pela faixa de areia que ajudam a explicar a singularidade do destino.
Referência da notícia
CNN Brasil. (2026). Com mais de 200 km, a "maior praia do mundo" fica no RS e reúne navio grego encalhado e missão da Nasa.