Os incríveis ciclones tropicais gêmeos

Ciclones gêmeos são sistemas que nascem no oeste do oceano Pacífico tropical e no oceano Índico. Eles ocorrem simultaneamente nos hemisférios norte e sul e rotacionam em direções opostas devido ao efeito de Coriolis.

Davi Moura Davi Moura 04 Maio 2019 - 11:44 UTC
Ciclones tropicais Fani e Lorna no oceano Índico tropical no fim de abril. Fonte: NASA.

Esta semana, os ciclones tropicais Fani e Lorna chamaram a atenção da comunidade meteorológica. Eles estavam praticamente na mesma longitude, mas em latitudes diferentes. Isso fez com que o par de ciclones ganhasse uma aparência espelhada. Fani girando no sentido anti-horário no Hemisfério Norte e Lorna girando no sentido horário no Hemisfério Sul, rotação oposta devido ao efeito Coriolis (ventos em torno de sistemas de baixa pressão giram no sentido horário no Hemisfério Sul, mas no sentido anti-horário no Hemisfério Norte).

Fani e Lorna formaram um raro evento meteorológico conhecido como “ciclones gêmeos” que tipicamente ocorre de duas a três vezes ao ano. A forçante atmosférica que gerou este par de ciclones foi a Oscilação-Madden-Juliana (OMJ), um distúrbio perto dos trópicos que se move para o leste ao redor do globo a cada 1 ou 2 meses. Outro evento de ciclones tropicais gêmeos aconteceu no final de fevereiro deste ano, quando o tufão Wutip e o ciclone tropical Oma giraram em ambos os lados do equador no oeste do Oceano Pacífico.

Basicamente, a OMJ prepara o ambiente para o desenvolvimento de ciclones tropicais graças a convecção tropical que se desloca de oeste para leste na faixa equatorial. Normalmente, a OMJ tem início no oceano Índico e viaja até o oceano Pacífico oeste, gerando chuvas por onde passa. As vezes, a convecção pode se desprender e gerar uma bifurcação para ambos os hemisférios. Nesta ocasião, pode haver o raro fenômeno de ciclones tropicais gêmeos.

Os ciclones gêmeos são mais frequentes no Oceano Índico. No Pacífico ocidental, eles são um pouco mais propensos a se formar durante os eventos de El Niño, porque os ventos alísios de leste a oeste costumam ser mais fracos no Pacífico equatorial durante o El Niño.

Ocasionalmente, os alísios até trocam de direção em associação com rajadas de vento de oeste que podem se propagar ao longo do equador. Esses ventos levam a um aumento do giro em ambos os lados do equador, pois ajudam a promover rotação anti-horária no hemisfério norte e rotação no sentido horário no hemisfério sul. Se os ciclones gêmeos se desenvolvem, suas circulações podem retornar às rajadas de vento de oeste que os ajudou a se formar, até que os ciclones migrem para latitudes mais altas.

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