tempo.com

O rastreamento do desmatamento da Amazônia por Satélite

Cientistas usaram satélites para rastrear o desmatamento da floresta amazônica por várias décadas. As imagens de satélite foram substanciais para a pesquisa, mostrando algumas mudanças notáveis no ritmo devastação, e também para o monitoramento.

Desmatamento na Amazônia
A inclusão de dados de satélite para monitorar o desmatamento da Amazônia foi um grande marco para a conservação ambiental.

Nas décadas de 1990 e 2000, a floresta tropical brasileira perdia cerca de 20.000 quilômetros quadrados por ano, uma área quase do tamanho do estado do Sergipe. Em 2004, após vários anos de grandes desmatamentos, o governo criou uma grande rede de parques nacionais e estaduais, estabeleceu territórios protegidos para grupos indígenas, fortaleceu agências de fiscalização ambiental, dificultou a exportação de bens produzidos em terras desmatadas ilegalmente e fortaleceu os sistemas de monitoramento por satélite.

A ideia foi ambiciosa e funcionou. Dentro de alguns anos, o desmatamento em larga escala caiu cerca de 50%. Em 2012, o desmatamento caiu quase 80%, ou cerca de 5.000 quilômetros quadrados por ano. A reviravolta foi anunciada como uma das mais dramáticas histórias de sucesso ambiental do mundo.

Os sistemas de monitoramento de florestas por satélite tiveram um papel fundamental na redução do desmatamento. Em 1998, o governo estabeleceu um sistema de coleta de dados chamado PRODES, com base nas observações do Landsat 5 e 7. Cientistas da Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) usaram esses dados para calcular quanta floresta tropical estava sendo derrubada a cada ano na Amazônia Legal.

Um segundo sistema baseado em satélite, o DETER, entrou em operação em 2004 e avançou ainda mais a causa. Enquanto o PRODES coletava imagens do Landsat uma vez a cada poucas semanas e os totais do desmatamento eram atualizados uma vez por ano, o DETER fazia uso de observações diárias de desmatamento, incêndio e saúde da vegetação através dos satélites Terra e Aqua da Agência Espacial Americana (NASA).

Antes do DETER, a devastação de centenas ou mesmo milhares de hectares eram comuns ao longo das fronteiras do Pará, Mato Grosso e outros estados. Após o lançamento do DETER, o tamanho médio das áreas começou a diminuir. Dentro de cinco anos, as grandes devastações nas fronteiras praticamente cessaram.À medida que as táticas de desmatamento no Brasil evoluíram, o mesmo aconteceu com os sistemas de monitoramento por satélite. Por exemplo, os cientistas conseguiram detectar um aumento do desmatamento durante a estação chuvosa, quando as nuvens obstruem a maioria das visualizações de satélite da floresta tropical.

Os cientistas utilizaram o sensor SAR (synthetic aperture radar), um sensor que funciona transmitindo sinais de microondas em um ângulo oblíquo em relação aos recursos na superfície terrestre e medindo como o sinal se espalha e retorna ao sensor. Mudanças no sinal ao longo do tempo indicam mudanças na paisagem. Além de ver através das nuvens e fazer observações dia e noite, a SAR pode captar mudanças sutis na textura dos dosséis florestais que nem os instrumentos Landsat nem os MODIS podem fornecer - informações que poderiam facilitar a detecção do desmatamento em um estágio anterior.

Em alguns anos, o lançamento da Missão NISAR deve aumentar drasticamente a quantidade de dados de radar disponíveis gratuitamente necessários para monitorar o desmatamento na Amazônia. Enquanto isso, uma versão atualizada do DETER está utilizando dados de alta resolução dos satélites ResourceSat-2 e CBERS, melhorando assim a resolução para a detecção do desmatamento.