Incêndios florestais não são exclusividades do Brasil

Os incêndios na Amazônia neste ano de 2019 chamaram a atenção do mundo nos últimos meses, porém outros lugares no mundo estão em situações semelhantes ou até piores. A Rússia, Indonésia e África Central, por exemplo, são locais que estão causando espanto.

Davi Moura Davi Moura 14 Set. 2019 - 12:05 UTC
As queimadas no Brasil foram palco de uma longa discussão política e científica neste ano de 2019. Fonte: centraldenoticias.

Os incêndios na Amazônia foram palco de muita discussão nas últimas semanas. Além do aumento significativo no número de queimadas, o assunto envolveu política e isso aqueceu a discussão. Aproximadamente 60% da floresta Amazônica está no Brasil. O número de queimadas no período de Janeiro a Agosto de 2019 é aproximadamente o dobro do mesmo período do ano passado de acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Apesar do aumento, o número de queimadas na Amazônia ainda é menor em relação a períodos anteriores como entre 1990 e 2004).

Porém, apesar da grande atenção da mídia mundial na Amazônia, outros países estão sofrendo com o mesmo problema de queimadas. Na Sibéria, o Greenpeace chamou os incêndios que atingiram a região russa neste ano de "um dos piores acontecimentos do século". A nuvem de fumaça atingiu o tamanho de todos os países da União Europeia somados.

Os incêndios florestais na Sibéria são comuns no verão, mas temperaturas recordes e ventos fortes tornaram a situação particularmente ruim. A Agência Florestal Federal da Rússia diz que mais de 10 milhões de hectares (100 mil km²) foram afetados desde o início deste ano.

O Alasca também está sofrendo com queimadas neste ano de 2019. Floresta Nacional de Chugach, no Alasca Foto: Chugach National Forest / REUTERS.

A Indonésia enfrenta atualmente sua temporada de incêndios florestais, que ocorre durante os meses mais secos do ano. Lá estão algumas das florestas tropicais com mais biodiversidade e mais antigas do mundo. A partir de dados de satélite, mais de 20 mil incêndios foram detectados neste ano até agora, segundo Tadas Nikonovas, geógrafo da Universidade de Swansea, no Reino Unido.

Mas essa quantidade é substancialmente menor que o número registrado em 2015, quando houve efeito do El Niño, que trouxe um clima mais seco que o normal. Na Indonésia, é frequente o uso de queimadas por empresas e pequenos agricultores para limpar terras para plantações de palma para produção de óleo, celulose e papel, que podem se espalhar para áreas protegidas de floresta.

Os satélites da Nasa, a Agência Espacial Americana, identificaram milhares de incêndios em Angola, Zâmbia e na República Democrática do Congo. No entanto, os focos de queimada não atingiram níveis recordes. De acordo com dados analisados pela Global Forest Watch, os incêndios na República Democrática do Congo e na Zâmbia estão um pouco acima da média da temporada, mas já foram mais altos em anos anteriores.

Na Angola, no entanto, os incêndios neste ano ficaram perto de níveis recordes. No debate sobre as queimadas, houve comparações com a situação na Amazônia, mas os incêndios na África Subsaariana são diferentes. Na República Democrática do Congo, a maioria dos incêndios está sendo registrada no sul do país, em áreas mais secas da floresta e savana do país, e até agora não afeta a floresta tropical. Especialistas dizem que é difícil saber exatamente o que está causando esses incêndios. É provável que muitos ocorram em pastagens, bosques ou savanas em comunidades agrícolas pobres.

Publicidade