O clima está mudando de forma mais rápida que o esperado

O clima já está mudando, as metas estabelecidas e esforços feitos estão longe de ser o suficiente! Essa é a principal mensagem que traz o novo relatório da ONU, “United in Science”, direcionado para os participantes da Cúpula de Ação Climática.

Paola Bueno Paola Bueno 24 Set. 2019 - 11:54 UTC
Na última sexta-feira, milhões de jovens foram as ruas em diversos países exigindo ações imediatas contra o aquecimento global. Foto: Hannah McKay/Reuters.

As principais organizações climáticas do mundo uniram esforços para publicar nesse domingo (22/09) um novo relatório para a Cúpula de Ação Climática da ONU. O relatório “United in Science” (Unidos na Ciência) destaca, principalmente, a grande lacuna que existe entre as metas estabelecidas para enfrentar as mudanças climáticas e a nossa atual realidade.

O relatório apresenta os mais recentes dados e descobertas científicas sobre a crise climática do planeta. Uma de suas constatações mais relevantes é a de que os compromissos para reduzir efetivamente as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) devem ser pelo menos triplicados e aumentados em até cinco vezes para que o mundo atenda às metas estabelecidas no acordo climático de Paris de 2015. Os planos e esforços atuais acarretariam num aumento da temperatura média global entre 2.9 a 3.4°C até 2100, muito acima do limite de 1.5°C estabelecido no acordo.

De acordo com o documento, o clima está mudando de forma bem mais rápida que a prevista há uma década, nós já estamos presenciando os efeitos do aquecimento do clima através da ocorrência de desastres naturais cada vez piores. Outros pontos importantes são destacados no relatório, como:

  • 2015 a 2019 deve ser o período mais quente da história: A temperatura média global do período entre 2015 a 2019 está prestes a ser a maior de qualquer período de cinco anos já registrado na história. Atualmente é estimado um aquecimento de 1.1°C acima do período pré-industrial (1850 a 1900), 0.2°C a mais que o período anterior de 2011 a 2015.
  • Contínua redução do gelo marinho e das massas de gelo: A extensão do gelo marinho durante o verão no Ártico diminuiu a uma taxa de 12% por década durante 1979 a 2018, e os quatro menores valores já registrados durante o inverno ocorreram entre 2015 a 2019. A quantidade de gelo perdida anualmente na Antártica também aumentou em pelo menos 6 vezes entre 1979 e 2017. A perda de massa de geleiras entre 2015 e 2019 é a mais alta que qualquer período já registrado.
  • Aumento do nível do mar está acelerado e o mar está ficando cada vez mais ácido: A taxa observada de aumento médio global do nível do mar passou de 3,04 milímetros por ano (mm/ano), durante o período de 1997 a 2006, para 4 mm/ano durante 2007 a 2016. Os oceanos estão cerca de 26% mais ácidos desde o início da era industrial, já que o aumento da absorção de gás carbônico (CO2), devido as emissões antropogênicas, aumenta o processo de acidificação dos oceanos.
  • Recorde de concentração de GEE na atmosfera: Os níveis dos principais GEE, CO2, metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), atingiram novos picos. Uma análise da concentração de CO2, CH4 e N2O, feita em 2017, mostra um aumento 146%, 257% e 122%, respectivamente, em relação aos níveis pré-industriais. Em 2018 a concentração global de CO2 foi de 407,8 partes por milhão (ppm), e dados preliminares indicam que devemos atingir ou mesmo exceder 410 ppm até o final de 2019, o que estabeleceria um novo recorde.

Por fim, o relatório diz que ainda é possível manter o aquecimento global em um nível seguro, dentro do limite estabelecido, porém isso exigirá mudanças abruptas, urgentes e ações imediatas, que devem partir de políticas ambiciosas e da cooperação da população global.

Publicidade