Meteorologista italiano alerta: as águas do Mar Mediterrâneo estão subindo mais do que o esperado

De acordo com observações de satélite e modelos climáticos, a taxa média de elevação do nível do mar no Mediterrâneo acelerou significativamente: estes são os potenciais impactos nas áreas costeiras.

No período de 2005 a 2015, a taxa foi estimada em cerca de 3,6 mm por ano, um valor sem precedentes no último século.
No período de 2005 a 2015, a taxa foi estimada em cerca de 3,6 mm por ano, um valor sem precedentes no último século.

O nível do Mar Mediterrâneo está subindo cerca de 4 mm por ano, mais do que o previsto. Esse aumento, causado principalmente pelo aquecimento global, que leva à expansão térmica da água e ao derretimento das geleiras, não é apenas uma estatística abstrata.

Para o litoral dos países mediterrâneos, isso representa um risco real, amplificado pela recorrência de eventos climáticos extremos, como tempestades costeiras. O exemplo recente da tempestade Harry, que atingiu o leste da Sicília, bem como a Calábria e a Sardenha, na Itália em janeiro de 2026, ilustra dramaticamente como essas mudanças já estão alterando a paisagem costeira.

A preocupante aceleração dos últimos anos

De acordo com observações de satélite e modelos climáticos, a taxa média de elevação do nível do mar no Mediterrâneo sofreu uma aceleração significativa.

De 1993 a 2022, o valor global foi de aproximadamente 3,3 mm por ano, mas nos últimos anos aproximou-se de 4,5 mm, com variações regionais que afetam particularmente a bacia do Mediterrâneo.

No período de 2005 a 2015, a taxa foi estimada em cerca de 3,6 mm por ano, um valor sem precedentes no último século. As principais causas estão relacionadas às mudanças climáticas, enquanto o derretimento das calotas polares e geleiras contribui com um influxo de água doce.

A tempestade Harry, que atingiu o sul da Itália em janeiro de 2016, evidenciou a gravidade da situação. Ondas de até 10 metros de altura (conforme confirmado pelos dados da bóia de Catânia) atingiram a costa jônica, causando danos significativos, incluindo crateras na orla marítima, estradas alagadas e estruturas destruídas.
A tempestade Harry, que atingiu o sul da Itália em janeiro de 2016, evidenciou a gravidade da situação. Ondas de até 10 metros de altura (conforme confirmado pelos dados da bóia de Catânia) atingiram a costa jônica, causando danos significativos, incluindo crateras na orla marítima, estradas alagadas e estruturas destruídas.

Para os países mediterrâneos, esse aumento deixou de ser um problema futuro e tornou-se uma realidade presente. As águas superficiais estão aquecendo mais rapidamente, causando uma expansão que agrava o fenômeno. Aliado a eventos climáticos extremos, como tempestades costeiras, o risco de erosão costeira e inundações aumenta exponencialmente.

O risco para as costas dos países mediterrâneos

As costas do Mediterrâneo estão entre as mais vulneráveis. Aqui, a erosão costeira já é uma emergência crônica: inúmeras praias correm o risco de desaparecer, e o problema é agravado pela destruição dos sistemas dunares, pela falta de aporte de sedimentos devido à presença de barragens e pela construção de quebra-mares que alteram a deriva litorânea.

A tempestade Harry, que atingiu o sul da Itália em janeiro de 2026, evidenciou a gravidade da situação. Ondas de até 10 metros de altura (conforme registrado pela boia de Catânia) atingiram a costa jônica, causando danos significativos, incluindo crateras na orla marítima, estradas alagadas e estruturas destruídas.

O que a subida do nível do mar tem a ver com essas tempestades?

O efeito é amplificado: um nível de base mais alto permite que as ondas se originem de uma altura maior, atingindo áreas que antes eram protegidas. Durante uma tempestade "normal", esses 4 mm de elevação anual, acumulados ao longo de décadas, podem se traduzir em um avanço do mar de mais de 10 metros terra adentro.

Isso ocorre porque, em costas com pouca inclinação, mesmo um pequeno aumento vertical no nível médio se espalha horizontalmente.

Por exemplo, com uma inclinação média, um aumento cumulativo de 10 cm (equivalente a cerca de 25 anos na taxa atual) pode causar um recuo da linha costeira ou uma incursão de 10 metros ou mais durante tempestades. Essas tempestades, intensificadas pelo aquecimento das águas, transferem mais energia para as ondas, acelerando a erosão e fazendo com que fenômenos como a Tempestade Gloria em 2020 ou a recente Tempestade Harry deixem de ser excepcionais e se tornem recorrentes.

Erros do passado e a necessidade de estratégias de adaptação

Na "era pós-Harry ou pós-Gloria", assim como no passado, existe o risco de repetir erros históricos. Ou seja, intervenções emergenciais, como a construção de barreiras rígidas (quebra-mares ou espigões), que oferecem proteção imediata, mas agravam o problema a longo prazo.

Tempestades, intensificadas pelo aquecimento das águas, transferem mais energia para as ondas, acelerando a erosão e fazendo com que fenômenos como Harry ou Gloria deixem de ser excepcionais e se tornem recorrentes.
Tempestades, intensificadas pelo aquecimento das águas, transferem mais energia para as ondas, acelerando a erosão e fazendo com que fenômenos como Harry ou Gloria deixem de ser excepcionais e se tornem recorrentes.

Sem a devida manutenção, essas estruturas interrompem o fluxo natural de sedimentos, acelerando a erosão em áreas adjacentes e criando desequilíbrios significativos. A urbanização descontrolada e as construções ilegais já enfraqueceram o litoral, abrindo caminho para desastres como o recente.

A elevação do nível do mar não é reversível a curto prazo, mas com ações decisivas podemos mitigar seus efeitos. Isso significa passar da resposta emergencial para a prevenção. Somente assim poderemos preservar o patrimônio natural e cultural de nossas costas, transformando uma ameaça em uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável.