Marsupial que brilha no escuro é fotografado pela primeira vez na natureza
Fotógrafo australiano capturou pela primeira vez um quoll-oriental em floresta da Tasmânia brilhando sob luz ultravioleta, revelando biofluorescência intensa e gerando repercussão científica internacional.

O fotógrafo australiano Benjamin Alldridge registrou um momento inédito na natureza: a primeira imagem de um quoll-oriental (Dasyurus viverrinus) exibindo biofluorescência em seu habitat natural. O encontro ocorreu durante uma expedição solitária no sudoeste da Tasmânia, uma das regiões mais frias e inóspitas da ilha.
Durante a caminhada noturna, Alldridge percebeu movimentações entre a vegetação e, ao se manter imóvel, observou a aproximação cautelosa dos animais. A cena ocorreu próxima a uma antiga fogueira, o que proporcionou condições favoráveis para o registro.
Equipado com câmeras de alta sensibilidade e iluminação ultravioleta não intrusiva, ele conseguiu capturar o brilho azul intenso da pelagem do marsupial, revelando um fenômeno pouco conhecido fora do meio científico: a biofluorescência em mamíferos.
Equipamento especializado e técnica cuidadosa
Para conseguir o feito, o fotógrafo utilizou câmeras Sony ILCE‑7M3 e Canon EOS 5D Mark IV, combinadas com lentes específicas e filtros que permitem a visualização da luz reemitida pela pelagem. O uso de luz ultravioleta foi essencial, mas exigiu cuidado extremo para não afetar o comportamento dos animais.
A técnica é fruto de anos de estudo e dedicação de Alldridge à documentação de biofluorescência em animais australianos, incluindo espécies raras e pouco observadas.
Reconhecimento e impacto científico
A imagem teve grande repercussão nas redes sociais e na comunidade científica, rendendo a Alldridge o Prêmio Beaker Street de Fotografia Científica de 2025. O registro também será exibido no Tasmanian Museum and Art Gallery durante o festival de ciência Beaker Street, atraindo a atenção do público para os mistérios da fauna noturna da Austrália.

Pesquisadores ainda investigam a função ecológica da biofluorescência nesse e em outros mamíferos. Algumas hipóteses sugerem que o fenômeno pode estar relacionado à comunicação entre indivíduos da mesma espécie, camuflagem sob luz UV ou até seleção sexual, mas nenhuma explicação definitiva foi confirmada.
Segundo o fotógrafo, cada animal parece exibir padrões de brilho únicos, o que levanta a possibilidade de uma função identificadora semelhante a uma impressão digital natural.
Biofluorescência e conservação
Diversos estudos têm mostrado que a biofluorescência é mais comum do que se pensava entre mamíferos, sendo observada em ornitorrincos, gambás, wombats e até ursos polares. A descoberta reforça o quanto a ciência ainda desconhece sobre adaptações noturnas em espécies selvagens.
O quoll-oriental é classificado como espécie ameaçada de extinção e está restrito a poucos habitats protegidos, como o da Tasmânia. Iniciativas de reintrodução no continente australiano enfrentam desafios como predação por espécies invasoras e perda de habitat.
A divulgação de imagens como essa ajuda a aumentar a conscientização sobre a importância da conservação desses animais e de seus ambientes naturais, especialmente em um mundo cada vez mais iluminado artificialmente e menos favorável à vida noturna silvestre.
Referências da notícia
Portal Terra. Marsupial que brilha no escuro é registrado pela 1ª vez em floresta na Austrália. 2025