Litoral Norte de Santa Catarina investe em dunas para frear avanço do mar e proteger a orla

Projeto de dragagem sustentável na costa de Santa Catarina não se limita a aumentar a praia, mas implementa um plano de educação ambiental e isolamento de áreas para regeneração da flora.

Santa Catarina investe em bioengenharia e educação ambiental para salvar praias da erosão. Foto: Reprodução/ ND Mais
Santa Catarina investe em bioengenharia e educação ambiental para salvar praias da erosão. Foto: Reprodução/ ND Mais

Uma das intervenções costeiras mais aguardadas do Litoral Norte de Santa Catarina, o alargamento de Itapoá, avança com uma proposta que vai além da simples expansão da faixa de areia. O projeto aposta na engenharia natural para garantir a longevidade da obra e a segurança da infraestrutura urbana.

Com a utilização de 6 milhões de metros cúbicos de areia, provenientes da dragagem do canal de acesso externo do Porto de São Francisco do Sul, a iniciativa busca mitigar a erosão costeira que ameaça a região há anos. Entretanto, depositar sedimentos não é suficiente para conter a força do oceano.

Para estabilizar o novo terreno, o plano inclui a reestruturação completa das dunas frontais. Essas formações arenosas atuarão como uma barreira física dinâmica, absorvendo o impacto de eventuais ressacas e protegendo as construções à beira-mar. A estratégia, licenciada pelo Ibama, reconhece que a defesa do litoral depende diretamente da saúde do ecossistema local, integrando obras de engenharia com soluções baseadas na própria natureza.

Restinga como âncora natural

A estabilidade dessa nova geografia depende, fundamentalmente, da fixação da areia. Sem a cobertura vegetal adequada, a ação dos ventos e das marés poderia deslocar rapidamente o material depositado, comprometendo o investimento. Por isso, o projeto contempla o plantio de aproximadamente 280 mil mudas de vegetação nativa de restinga ao longo de toda a área estendida.

Essa cobertura verde não serve apenas para embelezar a orla; ela funciona como uma rede que segura os grãos de areia, impedindo que se dispersem. A recuperação da restinga é a garantia de que a praia manterá seu novo perfil, resistindo às intempéries climáticas comuns na região sul do Brasil. Além disso, a vegetação nativa desempenha um papel ecológico insubstituível, servindo de abrigo e alimento para a fauna local, que também será monitorada durante todo o processo.

Educação e monitoramento contínuo

Para que a regeneração do ambiente costeiro seja efetiva, o fator humano precisa ser controlado. O licenciamento ambiental impôs medidas rigorosas para evitar o pisoteio em áreas sensíveis, onde a flora está tentando se restabelecer. Serão instaladas cercas de proteção e passarelas sinalizadas, organizando o fluxo de banhistas e turistas para longe dos pontos críticos de recuperação.

Além das barreiras físicas, o projeto investe na conscientização. Ações de educação ambiental estão previstas para ocorrer em escolas municipais e estaduais da cidade, focando na importância da preservação da restinga para a sobrevivência da praia. Paralelamente, um programa de monitoramento acompanhará a resposta das espécies animais e vegetais às mudanças promovidas pela obra, assegurando que o impacto seja positivo a longo prazo.

Referências da notícia


Maior alargamento de praia do Brasil aposta em dunas para conter avanço do mar em SC. 09 de fevereiro, 2026.