Fumaça das queimadas na Austrália devem dar a volta ao mundo

A fumaça e aerossois produzidos na Austrália tomaram proporções globais. A formação de tempestades de fogo fizeram com que a fumaça e partículas alcançassem a estratosfera e se espalhassem ao redor do Hemisfério Sul, podendo completar uma volta no globo.

Carolina Barnez Carolina Barnez 16 Jan. 2020 - 12:05 UTC
Bushfires, Australia
O monitoramento das fumaças e dos aerossóis produzidos pelas queimadas na Austrália estão sendo feitos por um conjunto de satélites. Créditos: NASA Earth Observatory/Joshua Stevens.

Os efeitos das queimadas na Austrália tomaram proporções globais, para muito além do território do país. Já era esperado que o CO2 emitido pelos incêndios impactaria o balanço de energia da Terra, podendo agravar o aquecimento global via aumento do efeito estufa. No entanto, a NASA divulgou um vídeo nessa semana que a fumaça e os aerossóis produzidos na Austrália estão se espalhando por todo Hemisfério Sul e devem completar uma volta completa, retornando ao país de origem.

Como isso pode acontecer?

A combinação do calor anômalo e uma seca histórica na Austrália propiciou a formação, sem precedentes, de grande número de Pyrocumulonimbus (pyrCbs). Essa formação de nuvem de tempestade é induzida pelo fogo. O extremo calor produzido pelo fogo aquece a massa de ar próxima à superfície, a tornando menos densa (mais leve) e forçando sua subida. Quando essa massa de ar sobe, ela leva consigo cinzas, fumaça e material queimado e nuvens se formam quando esse material esfria, mas sem precipitação. Dessa forma, as PyrCbs são nuvens altas, e no caso das produzidas na Austrálias, chegaram a 16 km de altitude, atingindo a estratosfera.

A estratosfera é a camada da atmosfera acima da camada mais próxima à superfície terrestre. É nela que está a camada de ozônio, que nos protege da radiação solar ultra-violeta (UV). Uma vez na estratosfera, a fumaça é transportada muito mais rapidamente para outras partes do globo, seguindo o jato de altos níveis na direção leste. Por essa razão a fumaça veio direto para a América do Sul, e não no sentido oposto. A fumaça e aerossóis da Austrália já viajaram milhões de quilômetros e podem influenciar o tempo pelos lugares onde passa.

A NASA ainda segue o monitoramento e as investigações intensivas de como essa fumaça irá impactar a dinâmica e química de nossa atmosfera. Não se sabe se esse excesso de fumaça e aerossóis causará aquecimento ou resfriamento global. Por um lado temos o aumento do efeito estufa pelo excesso de CO2 e outros gases estufa produzidos pela queima. Por outro, os aerosóis provenientes das cinzas e queima de materiais podem causar um resfriamento. Os aerossóis aumentam a formação de nuvens que ajudam a refletir os raios solares e diminuir a quantidade de calor que chega à superfície terrestre.

Como medimos o trajeto da fumaça?

As imagens foram produzidas com a combinação dos dados medidos por dois instrumentos a bordo do satélite Estadunidense Suomi, mantidos pelas Agências Americanas de Ciências Espaciais (NASA) e de Oceano e Atmosfera (NOAA). Um dos instrumentos mede a "cor verdadeira" da fumaça através das medidas de radiação na faixa do visível. O outro faz medidas na faixa de radiação ultra-violeta, permitindo a detecção dos aerossóis, permitindo uma visão mais completa das nuvens e suas características. Outros satélites como o CALIPSO e MODIS estão sendo usados para coletar mais informações sobre a composição das nuvens formadas.

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