A fumaça dos incêndios na Austrália chegou à Argentina

Os incêndios na Austrália são os piores de sua história. A quantidade de fumaça gerada é grande o suficiente para percorrer o mundo e chegar à América do Sul.

Enzo Campetella Enzo Campetella Tiago Robles 19 Nov. 2019 - 16:39 UTC
A pluma de fumaça gerada pelos incêndios na Austrália é claramente observável do espaço. A imagem pertence ao satélite Suomi NPP em 8 de novembro passado

New South Wales, no sudeste da Austrália, está enfrentando os piores incêndios de sua história desde os primeiros dias de Novembro. Uma combinação de parâmetros meteorológicos deu origem a um desastre real: altas temperaturas com muito baixo teor de umidade no ambiente, juntamente com vento intenso. O coquetel perfeito para o desenvolvimento de incêndios é servido em uma região da Austrália que geralmente é afetada por esses tipos de acidentes, embora os deste ano sejam extraordinários.

Conforme noticiado pela CNN em espanhol, o número de mortos subiu para quatro no final da semana passada. Mais de 140 focos de incêndio permaneceram ativas na costa sudeste da Austrália. Conforme relatado pelo El País, o número de hectares consumidos pelo fogo ultrapassou um milhão, pelo menos 150 casas foram destruídas e milhares de pessoas tiveram que ser evacuadas.

A polícia local acredita que alguns incêndios podem ter sido intencionais e depois aprimorados pelas condições climáticas prevalecentes. Mais ao norte, em Queensland, cerca de 70 focos ficaram ativos e foi emitido o alerta de "evacuação imediata" na quarta-feira passada (13). Esse aviso incluiu cidades como Woodgate, Kinkuna e o destino turístico de Noosa, cerca de 130 quilômetros ao norte de Brisbane.

A fumaça chegou à Argentina

Na quinta-feira, 14 de Novembro, o Serviço Meteorológico da Argentina informou que, após vários dias de emissão de fumaça da zona de incêndio, eles foram transportados pelo vento sobre o Oceano Pacífico, chegando à América do Sul. Depois de 12.000 quilômetros, a pluma de fumaça atingiu o território argentino.

A circulação de sudoeste em níveis mais elevados na atmosfera moveu para o nordeste da Argentina e, na sexta-feira, 15, já se dispersavam. No entanto, as autoridades meteorológicas da Argentina alertaram que, enquanto os incêndios na Austrália continuarem, novas plumas de fumaça podem chegar ao país novamente.

Embora muitos focos tenham sido controlados, o quadro não é dos melhores, pois ainda há um longo verão pela frente com previsões prolongadas de secas. Apagar esse tipo de incêndio pode levar meses de trabalho. Há 10 anos, a área vivenciou uma grande tragédia, com mais de 370 mortos e o epísódio ficou conhecido como "Sábado Negro". A onda de calor de 2014 foi classificada como “extrema”, embora seja possível que este ano seja necessário inventar uma nova definição: “muito extrema”.

O pior ainda está por vir

Como regra geral, a temporada de incêndios na Austrália ocorre entre Outubro e Março. A costa leste do país é geralmente atingida durante o verão por ventos secos e massas de ar muito quentes que se desenvolvem no deserto central.

A Bureau of Meteorology informou que a falta de chuvas atinge grande parte de Nova Gales do Sul, Queensland e Austrália do Sul desde o início de 2017. Enquanto essa situação extrema se desenvolve, o governo australiano maximiza os esforços não apenas para conter esses incêndios, mas sabendo que as piores ondas de calor do verão estão chegando sem previsões encorajadoras.

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