tempo.com

Foguete chinês fará reentrada descontrolada na atmosfera nos próximos dias!

A tensão retorna: é a terceira vez em dois anos que um foguete chinês faz uma reentrada descontrolada na atmosfera terrestre. E, seu ponto exato de entrada na Terra não pode ser identificado até poucas horas após sua reentrada.

foguete chinês
Foguete Long March 5B da China antes do lançamento. Fonte: CFOTO

O foguete Long March 5B de mais de 20 toneladas, que transportava o novo módulo Wentian, decolou da Ilha de Hainan às 14h22 do dia 24 de julho de 2022, atracando com sucesso no porto orbital da China. Uma vez que o trabalho foi concluído, o foguete iniciou uma descida descontrolada em direção à atmosfera terrestre.

É a terceira vez que o país é acusado de não lidar adequadamente com detritos espaciais de seus foguetes. A China foi fortemente criticada em maio de 2021 pelos restos de detritos espaciais caídos no Oceano Índico, perto das Maldivas. Em 2020, um foguete chinês também fez uma reentrada descontrolada na atmosfera da Terra, passando sobre Los Angeles e Nova York antes de mergulhar no Oceano Atlântico.

Antes disso, em abril de 2018, um protótipo de laboratório espacial, que ajudou no caminho para a estação espacial Tiangong, caiu no Oceano Pacífico. Em nenhum desses casos houve relatos de feridos. Mas, ainda assim, o potencial aos danos físicos e materiais incentivou especialistas a repreenderem a China por não dar a devida atenção a tais quedas.

Devido ao seu tamanho e peso consideráveis, partes do objeto podem sobreviver à descida e atingir a superfície. Pois, geralmente de 20-40% da massa de um objeto grande atinge o solo, afirma a Aerospace Corporation. Com base nas experiências anteriores, os detritos podem se espalhar por uma área de centenas de quilômetros ao longo da trajetória.

De acordo com a Aerospace Corporation, existem seis chances em dez trilhões de que uma parte desse foguete atinja uma pessoa na Terra e cause algum tipo de acidente, o que é bastante raro. Mas, não deixa de provocar preocupação e vigilância em torno dessa situação, que vem sendo tida como “corriqueira”.

As nações que exploram o espaço têm a obrigação de minimizar os riscos na reentrada de objetos espaciais, e maximizar a transparência em relação a essas operações - disse o administrador da NASA, Bill Nelson.

Essa tensão é causada por um risco desnecessário e evitável, pois existem tecnologias e projetos que fornecem reentradas controladas, geralmente em áreas remotas dos oceanos. O administrador da NASA enfatizou que a China falhou em “atender aos padrões responsáveis”. E ainda acrescentou dizendo que “é essencial que todas as nações atuem de maneira responsável no espaço de modo a garantir segurança, estabilidade e sustentabilidade a longo prazo das atividades siderais”.

O que dizem as estimativas desse rastreamento?

O Comando Espacial dos Estados Unidos está rastreando a queda do foguete chinês de volta à Terra. Ainda é cedo para dizer com exatidão onde e quando esse lixo espacial vai atingir a superfície; por isso as previsões estão sendo atualizadas e ajustadas diariamente e ficarão mais precisas à medida que o fim de semana se aproxima.

Tensão sobre o foguete chinês retornando à Terra
Foguete Long March 5B decola com destino à estação espacial Tiangong da China. Fonte: CASC

Com base em condições atmosféricas variadas, estima-se que o foguete volte a entrar na atmosfera terrestre por volta de 1º de agosto de 2022. Além disso, com base em sua órbita, sabe-se que a reentrada ocorrerá entre as latitudes 41° Norte e 41° Sul, onde 88% da população humana vive. Essa situação já serve de alerta para o próximo lançamento da Long March 5B programado para Outubro.