COP30: 111 países já entregaram relatórios com metas climáticas
No começo da COP30, em Belém, diretora Ana Toni anuncia entrega recorde de NDCs e destaca avanços nas negociações sobre adaptação, tecnologia e transição justa no combate climático.

O início da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), foi marcado por um anúncio considerado histórico: 111 países já entregaram seus relatórios de metas climáticas, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). A informação foi confirmada na última segunda-feira (10) pela diretora executiva do evento, Ana Toni.
As NDCs, previstas no Acordo de Paris de 2015, representam o compromisso de cada país com a redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o acordo, os planos nacionais devem ser revisados e atualizados a cada cinco anos pelos 195 países signatários. Antes da abertura da conferência, apenas 79 países haviam apresentado suas metas.
“Hoje à tarde nós ficamos sabendo que já temos 111 relatórios de NDCs publicados. Temos 194 países credenciados para Belém, o que mostra que estamos fortalecendo o multilateralismo”, comemorou Ana Toni durante entrevista coletiva no centro de convenções da COP30.
Brasil e a importância da adaptação climática
Entre os países que já apresentaram suas metas, o Brasil destacou um dos planos mais ambiciosos: reduzir em 59% as emissões de gases de efeito estufa até 2035. O governo brasileiro também tem reforçado o compromisso com a transição energética, o combate ao desmatamento e o incentivo à economia verde na Amazônia.
A diretora comemorou ainda o fato de a agenda oficial de ações ter sido aprovada logo no primeiro dia – um feito que não ocorria há quatro anos. “Abrir a agenda no dia certo pode parecer algo pequeno, mas é decisivo. Sem isso, não conseguimos avançar nos demais temas”, observou.
145 temas em debate e o desafio da tecnologia
Ao todo, a COP30 trabalhará em 145 temas prioritários até o encerramento da conferência, no dia 21 de novembro. Entre eles estão transição justa, financiamento climático, balanço global, adaptação, biodiversidade e inovação tecnológica. A tecnologia, segundo Ana Toni, deve ser um dos pontos mais complexos de negociação.
O Acordo de Paris prevê a transferência de tecnologia e capacitação para ajudar os países em desenvolvimento a implementar suas NDCs. No entanto, esse tema tem enfrentado resistência de nações desenvolvidas. “Esse é um dos tópicos mais importantes e mais difíceis. Precisamos garantir que os países mais pobres tenham acesso a tecnologias para acelerar seus planos de adaptação”, afirmou Ana.
O debate sobre tecnologia já havia sido iniciado em junho, durante a Sessão dos Órgãos Subsidiários (SB60), realizada em Bonn, na Alemanha — encontro preparatório para a COP30. “Na reunião de Bonn, esse foi um dos poucos temas sem consenso. Queremos avançar agora em Belém e mostrar que é possível fortalecer a cooperação internacional em inovação climática”, destacou a diretora.
Referências da notícia
Agência Brasil. COP30: 111 países entregam relatórios de metas climáticas. 2025