Como ocorre a formação do raro arco-íris duplo visto no céu de São Paulo

Um espetáculo de cores tomou conta do céu paulistano, quando um arco-íris duplo se formou sobre vias importantes, encantando quem passava pela região da Avenida Faria Lima.

A beleza natural do arco-íris duplo após a tempestade. Foto: Reprodução/ Metrópoles
A beleza natural do arco-íris duplo após a tempestade. Foto: Reprodução/ Metrópoles

Moradores da Grande São Paulo foram surpreendidos na manhã da última terça-feira (7) por um espetáculo natural logo após uma chuva rápida. Um raro arco-íris duplo surgiu no céu, atraindo os olhares de quem passava por vias importantes como a Avenida Faria Lima.

O fenômeno, que levou muitas pessoas às janelas de prédios, apresentou um arco principal de cores vivas acompanhado por um segundo arco mais suave. Registros em fotos e vídeos rapidamente se espalharam pelas redes sociais, celebrando o momento que coloriu o início do dia na capital.

A ciência por trás do segundo arco

De acordo com especialistas, o arco-íris duplo é formado quando a luz solar sofre uma reflexão adicional dentro das gotículas de água. Enquanto no fenômeno simples a luz reflete apenas uma vez, no duplo ela rebate duas vezes antes de sair da gota.

Esse processo envolve fenômenos ópticos complexos como refração, dispersão e reflexão da luz solar nas partículas suspensas na atmosfera. A luz branca do sol entra na gota, muda de direção e se separa em diferentes cores, intensificando-se ao sair.

Consequentemente, o segundo arco é sempre menos intenso, pois parte da energia luminosa é dispersa em cada uma das reflexões internas. Para que o observador consiga visualizar o espetáculo, ele precisa estar posicionado de costas para o sol no momento exato.

A nitidez do fenômeno depende muito da intensidade do arco principal, que deve apresentar cores bastante fortes para que o secundário apareça. Estudos apontam que o arco-íris é, na verdade, um círculo completo, embora vejamos apenas metade devido à linha do horizonte.

Características e a banda de Alexander

Uma particularidade fascinante do arco-íris secundário é que suas cores aparecem invertidas em relação ao arco primário. No arco principal, o vermelho ocupa o topo, enquanto no arco externo, o violeta assume a posição mais alta da curva.

Entre esses dois arcos coloridos, existe uma região do céu visivelmente mais escura, tecnicamente conhecida como banda de Alexander. Essa área ocorre porque a luz refletida pelas gotas de chuva naquele ângulo específico não consegue atingir os olhos do observador.

Destaque para a "banda de Alexander", a região visivelmente mais escura situada entre os dois arcos coloridos. Foto: Reprodução/ Metrópoles
Destaque para a "banda de Alexander", a região visivelmente mais escura situada entre os dois arcos coloridos. Foto: Reprodução/ Metrópoles

Além disso, os ângulos de visão são precisos, ocorrendo geralmente em torno de 42 graus para o primeiro arco e 50 graus para o segundo. O interior do arco primário também costuma parecer mais claro do que o restante do céu devido à sobreposição de luz.

Curiosamente, o arco-íris pode aparecer com uma única cor predominante, como o vermelho, se ocorrer durante o nascer ou pôr do sol. Isso acontece porque as frequências próximas ao vermelho sofrem menos espalhamento na atmosfera ao percorrerem longas distâncias.

Além da explicação física, o fenômeno carrega profundos significados espirituais e mitológicos em diversas civilizações ao redor do mundo. O próprio nome deriva da mitologia grega, em homenagem à deusa Íris, considerada a mensageira divina entre os céus e a terra.

Referências da notícia

Dois potes de ouro? Arco-íris duplo é formado no céu de SP. 7 de abril, 2026.

VOCÊ JÁ VIU UM ARCO ÍRIS?. 20 de novembro, 2019. Ana Elisa D. Barioni, Daniel S. Bertini e Shirley M. V. da R. Hossack.

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