Buraco de ozônio de 2019 pode ser o menor em décadas

No Dia Internacional de Preservação da Camada de Ozônio o mundo foi agraciado com uma excelente notícia: o buraco na camada de ozônio sobre a Antártica observado nesse ano pode ser o menor registrado em três décadas!

Paola Bueno Paola Bueno 17 Set. 2019 - 11:50 UTC
No dia 16 se setembro foi comemorado o Dia Internacional de Proteção da Camada de Ozônio terrestre. Foto: NASA.

Ontem, 16 de setembro, foi comemorado o Dia Internacional de Preservação da Camada de Ozônio, ou, Dia Mundial do Ozônio! O tema desse ano foi ‘32 years and healing’ (32 anos e recuperação), em homenagem aos 32 anos da grande cooperação internacional de proteção à camada de ozônio, o Protocolo de Montreal, e a crescente recuperação da camada de ozônio observada nos últimos anos!

Para presentear os esforços feitos nesses 30 anos, cientistas divulgaram dados que mostram que o buraco da camada de ozônio formado sobre a Antártica nesse ano pode ser um dos menores vistos nas últimas três décadas! De acordo com o Serviço de Monitoramento da Atmosfera do programa Copernicus da União Europeia, o buraco desse ano não se abriu da maneira que normalmente ocorre, seu tamanho está bem menor, bem abaixo da metade da área normalmente observada em meados de setembro.

Este marco tem sido comemorado dada a importância que a camada de ozônio tem para a manutenção da vida terrestre, nos protegendo dos nocivos raios ultravioletas (UVs), que podem causar câncer de pele e outros prejuízos à saúde. Mas também porque ele evidencia a importância e o potencial dos esforços e comprometimento global em reverter cenários climáticos prejudicais ao planeta.

A história do buraco de ozônio

Em 1976, cientistas britânicos que trabalhavam na estação Halley de pesquisa na Antártica pensaram que seus instrumentos estavam com mal funcionamento quando eles começaram a registrar baixas quantidades de ozônio na estratosfera. Os registros eram feitos desde 1957 e nunca havia sido registrado um nível tão baixo.

A princípio esse registro não causou grandes preocupações, já que as concentrações de ozônio realmente variam durante as estações do ano, mas a cada ano que passava eles registravam novos recordes de concentração mínima durante o período de setembro, outubro e novembro. Somente a partir de 1985 os cientistas descobriram que esse fenômeno era fruto das atividades humanas, já que os principais vilões eram os compostos químicos chamados clorofluorcarbonetos (CFCs), que passaram a ser usados nos anos 60 em aparelhos refrigeradores, latas de aerossol e produtos industriais, capazes de quebrar as moléculas de ozônio da estratosfera.

Em 16 de setembro de 1987 foi estabelecido então o Protocolo de Montreal, que firmava o compromisso de 150 países em proibir a produção e uso dos CFCs a fim de recuperar a camada de ozônio. A partir disso, os níveis de ozônio estabilizaram-se em meados dos anos 90 e começaram a se recuperar nos anos 2000.

O buraco de ozônio de 2019

Na semana passada o buraco na camada de ozônio cobria pouco mais de 5 milhões de km², uma área muito menor àquela registrada nesse mesmo período do ano passado, que passava de 20 milhões de km² e bem menor que a registrado em 2006, de 27 milhões de km², o maior já registrado.

Apesar de sabermos que os compromissos estabelecidos pelo protocolo de Montreal têm gerado resultados satisfatórios, não podemos afirmar que o recorde desse ano seja um resultado direto do protocolo. Nesse ano a destruição do ozônio estratosférico, embora tenha começado mais cedo que o normal, foi interrompida por um súbito aquecimento das temperaturas na estratosfera da ordem de 20 a 30 °C, desestabilizando o processo de destruição e formação do buraco de ozônio. Portanto, o que observamos foi a combinação de um evento dinâmico atmosférico com a contribuição dos esforços do Protocolo de Montreal.

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