As chuvas que trouxeram alívio ao Sertão Nordestino

Nas últimas semanas, o Sertão Nordestino foi surpreendido com grandes volumes de chuvas. Essas chuvas foram muito bem-vindas na região que vem sofrendo com a falta de chuvas e a situação de seca que se prolonga há vários anos.

Paola Bueno Paola Bueno 13 Dez. 2018 - 07:24 UTC
Na cidade de Petrolina, Pernambuco, a chuva invadiu casas e deixou bairros alagados no início do mês. Fonte: TV Grande Rio/G1.

Nos últimos dias, grandes volumes de chuva foram registrados em áreas do sertão nordestino. Na região que costuma receber acumulados da ordem de 700 mm ao ano e tem vivenciado consecutivos anos de chuvas abaixo da média, a chuva foi muito bem recebida e, em alguns casos, comemorada pelos sertanejos!

Várias cidades do interior da Bahia, Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe voltaram a registrar chuvas fortes e volumosas entre a última semana de novembro e a primeira semana de dezembro. As chuvas registradas nesses primeiros dias de dezembro já foram o suficiente para quase alcançar ou até mesmo ultrapassar o acumulado do mês em algumas localidades, como foi o caso de Teresina, no Piauí, que em 6 dias registrou um acumulado de 200 mm, mais do que a quantidade prevista para o mês de 100 mm! Em Codó, no Maranhão, 145 mm foram registrados em 24 horas, ultrapassando a média de 134 mm do mês!

As chuvas volumosas que vem ocorrendo desde o início do mês, reviveram rios, riachos e açudes no Sertão Nordestino.

Muitas localidades registraram acumulados superiores a 100 mm num período de 24 horas, causando uma série de transtornos, como alagamentos e inundações. No município de Farias de Brito no Ceará, uma chuva de 178 mm, entre os dias 5 e 6 de dezembro, destruiu ruas, inundou casas, causou a morte de animais e também fez com que algumas barragens sangrassem na região. Em Belém do São Francisco, no Sertão de Pernambuco, entre os dias 08 e 09 de dezembro, a população foi surpreendida por uma chuva de granizo!

Alguns rios reviveram e alguns açudes, que estavam secando, voltaram a observar uma elevação dos seus níveis. Como foi o caso do açude de São Gonçalo, no interior da Paraíba, que estava com 14.47% de seu volume e passou a ter 14.86%. Apesar de não parecer muito, essa quantidade já garante o abastecimento da região de Sousa até o começo do inverno.

Condições Meteorológicas

A grande responsável por toda essa chuva no sertão, foi a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). A ZCAS se formou no dia 02 e durou até o dia 09 de dezembro, atuando em grande parte dos dias sobre o sertão nordestino. As instabilidades geradas pela ZCAS foram auxiliadas por dois importantes sistemas que atuam nos altos níveis da atmosfera, a Alta da Bolívia e o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), este último está quase sempre associado a chuvas no Nordeste. A presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) também favoreceu o aumento do volume de chuvas em algumas regiões.

A esquerda, principais sistemas responsáveis pelas chuvas no dia 08/12 e, a direita, o acumulado registrado nos últimos 10 dias. Fontes: CPTEC e INMET.

Além de todos esses sistemas favorecendo as chuvas no Nordeste, eles ainda tiveram o reforço da Oscilação de Madden-Julian (OMJ), que esteve ativa em suas fases 1 e 2, na primeira semana do mês, fases onde ela favorece as chuvas na região.

Previsão para os próximos dias

No restante do mês já não são esperados acumulados tão elevados quanto os registrados nos últimos dias. Isso porque as instabilidades já perderam força na região com o fim da ZCAS, os sistemas de altos níveis não estão mais presentes e a OMJ está entrando em fases onde ela passa a desfavorecer as chuvas na região.

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