Amazônia registra menor nível de alertas de desmatamento para o primeiro semestre em dez anos
Dados do Inpe mostram que Amazônia alcançou o menor nível de alertas de desmatamento para um primeiro semestre desde 2016, enquanto Cerrado também apresentou redução, embora em ritmo mais moderado.

A Amazônia brasileira alcançou, no primeiro semestre de 2026, o menor nível de alertas de desmatamento desde o início da série histórica do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre janeiro e junho, foram identificados 1.295 quilômetros quadrados de áreas com indícios de supressão da vegetação nativa, o menor resultado para o período desde 2016.
Os dados, divulgados pelo Inpe na sexta-feira (10), indicam uma redução de 38% em relação ao mesmo período de 2025 e reforçam a tendência de desaceleração da abertura de novas áreas desmatadas no bioma. O recorde anterior havia sido registrado em 2017, quando o sistema apontou 1.332 km² sob alerta durante os seis primeiros meses do ano.
Especialistas destacam que o resultado representa um avanço importante na contenção do desmatamento, embora não signifique a recuperação das áreas já degradadas. O secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, atribui a redução às políticas públicas de proteção ambiental e combate aos crimes contra a floresta. "É um resultado consistente, fruto de ações governamentais de proteção da floresta e combate ao crime ambiental. Os números são ótimos e merecem ser celebrados", afirma.
Alertas orientam fiscalização, mas não medem desmatamento consolidado
O Deter funciona como uma ferramenta de monitoramento em tempo quase real, identificando alterações na cobertura vegetal por meio de imagens de satélite. As informações servem para orientar operações de fiscalização ambiental e permitir respostas rápidas dos órgãos responsáveis pelo combate ao desmatamento.
Enquanto o Deter aponta onde o desmatamento pode estar ocorrendo para subsidiar ações de fiscalização, o Prodes mede a extensão final da vegetação perdida. Assim, os dois sistemas são complementares e cumprem funções distintas no monitoramento ambiental brasileiro.
Cerrado também reduz alertas, mas continua liderando perdas
O Cerrado também apresentou queda nos alertas de desmatamento no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o Deter registrou 3.142 km² de áreas com sinais de retirada da vegetação nativa, o menor índice para esse período desde 2021.

Apesar da redução, o desempenho foi mais modesto do que o observado na Amazônia. Em comparação com o primeiro semestre do ano passado, os alertas no Cerrado diminuíram cerca de 6%, enquanto a Amazônia registrou uma redução de 38%. Ainda assim, o bioma permanece como o mais pressionado pela perda de vegetação nativa no país, concentrando uma área sob alerta aproximadamente 2,4 vezes superior à registrada na floresta amazônica.
Os números de junho reforçam essa tendência. Na Amazônia, os alertas caíram de 457,61 km² em junho de 2025 para 297,26 km² no mesmo mês deste ano, uma redução de 35%. No Cerrado, a queda foi de 5,3%, passando de 508,69 km² para 481,53 km². Segundo o Inpe, a presença de nuvens em parte do bioma dificultou o monitoramento por satélite durante o período, podendo influenciar os resultados.
Calendário do Inpe acompanha ciclo anual do desmatamento
Além das comparações por semestre, o Inpe acompanha o desmatamento em um calendário próprio, que se estende de agosto a julho do ano seguinte. Esse recorte considera as variações sazonais que influenciam tanto a ocorrência do desmatamento quanto sua detecção por imagens de satélite, como o regime de chuvas e a cobertura de nuvens.
Nos primeiros 11 meses do ciclo 2025/2026, entre agosto de 2025 e junho de 2026, a Amazônia acumulou 2.485,9 km² de áreas sob alerta, uma redução de 37,2% em relação ao mesmo período anterior. No Cerrado, o total chegou a 4.689,4 km², representando uma queda de 7,9%. O balanço definitivo desse ciclo será conhecido após a divulgação dos dados referentes ao mês de julho.
Referência da notícia
G1. (2026). Amazônia tem menor nível de alertas de desmatamento para o 1º semestre em uma década.