Alerta vermelho: calor na Europa já bate recordes

O verão do hemisfério norte mal começou e as notícias sobre o calor tomaram a semana: os termômetros já marcaram um novo recorde de temperatura na França, asfaltos derreteram na Alemanha, além de mortes na Espanha. Afinal, o que está causando este calor extremo?

Davi Moura Davi Moura 29 Jun. 2019 - 12:44 UTC
Os chafariz em frente a Torre Eiffel virou piscina para os parisienses enfrentarem o calor intenso europeu. Foto: EFE/ CAROLINE BLUMBERG.

Infernal, é o termo que os meios de comunicação na Europa estão adotando para descrever a situação das altíssimas temperaturas. Para muitos brasileiros, a Europa é sinônimo de frio, casacos e bebidas quentes, mas não é isso que tem acontecido nos últimos dias, aliás os verões na Europa estão cada vez mais extremos.

Na sexta-feira (28), a França registrou um novo recorde de temperatura (45,9ºC) no sul do país. A confirmação veio da agência meteorológica Méteo-France. O recorde anterior era de quase 2ºC abaixo (44,1ºC) e ocorreu durante a onda de calor de 2003 que causou cerca 15 mil mortes. O recorde fez com que a França atingisse um novo patamar de altas temperaturas que só havia sido atingido pela Bulgária, Portugal, Itália, Espanha, Grécia, Macedônia do Norte.

Na Espanha, as temperaturas superaram os 40ºC, duas pessoas morreram. Um adolescente de 17 anos teve insolação depois de algumas horas trabalhando em uma fazenda. O jovem entrou em uma piscina para se refrescar, mas sofreu convulsões e faleceu horas depois. Um idoso de 93 anos também foi vítima do calor intenso enquanto caminhava pelo centro de Valladolid.

Na Catalunha, os incêndios florestais impressionaram até os bombeiros. Eles relataram que os incêndios deste ano são os maiores já vistos. Na Alemanha, o calor foi tão extremo que derreteu o asfalto de uma rodovia. As autoridades tiveram que diminuir o limite de velocidade para evitar acidentes. O calor intenso na Europa deve diminuir a partir de domingo (30), porém é apenas por enquanto.

O que está causando este calor na Europa?

A causa é uma onda de calor intensa que ocorreu devido a uma junção de fatores. Esta onda atmosférica está associada a uma entrada de ar quente do Saara causado pelo deslocamento da corrente de jato (escoamento estreito e intenso de ar no alto da troposfera). Esse deslocamento causou um corte entre duas zonas, uma área de baixa pressão na Europa Ocidental e um sistema de alta pressão localizado sobre o resto da Europa, e entre esses dois sistemas o ar muito quente que se origina no Saara é “sugado” para o norte (Fonte: BBC Brasil).

Mudanças Climáticas e Aquecimento Global

A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) amenizou os comentários relacionando o calor extremo ao aquecimento global. Porém, os meteorologistas calculam que este pode ser o ano mais quente já registrado e avisam: as próximas ondas de calor devem começar mais cedo e durar mais (Fonte: Jornal Nacional).

No passado, altas temperaturas já atingiram a Europa. A Onda de calor não é uma novidade, porém nunca foram tão extremos. Desde o ano 1500, os verões mais quentes da Europa ocorreram no início deste século. Apesar do comunicado da OMM, os anos mais quentes da história desde o início dos registros (1880) foram 2016, 2017, 2015 e 2018, respectivamente. Tudo indica que 2019 entrará nesta lista em breve.

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