Alerta de energia: a situação dos reservatórios poderá se tornar crítica nos próximos meses, devido a falta de chuvas!

Com o período chuvoso registrando chuvas abaixo da média, os reservatórios das usinas hidrelétricas estão em alerta pois poderão atingir baixos níveis de armazenamento até o início do próximo período chuvoso.

Os armazenamentos dos reservatórios das usinas hidrelétricas do Brasil dependem muito do período chuvoso, que neste ano foi aquém do esperado.
Os armazenamentos dos reservatórios das usinas hidrelétricas do Brasil dependem muito do período chuvoso, que neste ano foi aquém do esperado.

O atual período chuvoso do Brasil vem apresentando volumes de chuva abaixo da média esperada em grande parte do país. Desde o início do período até as últimas semanas os acumulados de chuvas têm sido menores que o normal principalmente sobre as regiões Sudeste e Centro-Oeste, com poucas ocorrências de corredores de umidade e Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).

Esse déficit de chuvas nos últimos meses nos coloca numa situação de alerta, pois este período é extremamente importante para encher os reservatórios das usinas hidrelétricas e nos colocar em uma situação mais confortável no início do período seco, entre maio e agosto, quando os reservatórios irão naturalmente abaixar devido a menor ocorrência de chuvas.

Campo de anomalia de chuva para os meses de janeiro (esquerda) e fevereiro (direita) para o Brasil.
Campo de anomalia de chuva para os meses de janeiro (esquerda) e fevereiro (direita) para o Brasil.

As principais usinas hidrelétricas do país estão localizadas na região Sudeste e Centro-Oeste, representando cerca de 70% do volume total armazenado em reservatórios no Brasil. Devido ao déficit de chuvas dos últimos meses, atualmente o volume do subsistema Sudeste/Centro-Oeste está em 64,7%, 12% a menos do que o nível registrado em fevereiro de 2023.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) destaca também que até o dia 17/02/2024 houve uma baixa recarga (aumento) dos reservatórios, com um aumento de apenas 2% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, de 12% no Nordeste, de 19% no Norte e o subsistema Sul foi o único que apresentou uma queda, de 26% neste mesmo período. Apesar dos reservatórios ainda estarem em condições não críticas de armazenamento, a situação é de alerta pois, de acordo com o ONS, os cenários futuros não são tão otimistas.

Por que o cenário hídrico já preocupa o setor de energia?

A atual situação é preocupante pois, de acordo com as projeções apresentadas na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), existem cenários onde os níveis do subsistema Sudeste/Centro-Oeste podem atingir em julho o nível de 36,1%. Este cenário considera um cenário pessimista na previsão de chuvas, parecido com o que vem acontecendo, ocasionando a queda nas afluências dos rios.

O cenário pessimista do ONS indica um armazenamento de 36,1% no principal subsistema do país. Nesse caso, as usinas termelétricas poderão ser acionadas gerando consequências no preço de energia!

Entre abril e maio, considerado o final do período úmido, o ONS deverá avaliar novamente o nível dos reservatórios, para decidir se acionará as usinas térmicas de forma antecipada. Esse acionamento é considerado como Geração Fora da Ordem de Mérito (GFOM), quando aumenta a geração térmica com o objetivo de diminuir a demanda da geração hídrica e preservar o uso dos reservatórios.

Histórico de energia armazenada para os meses de janeiro, fevereiro e março para o Subsistema Sudeste/Centro-Oeste.
Histórico de energia armazenada para os meses de janeiro, fevereiro e março para o Subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

Apesar do alerta, ainda é preciso ressaltar que a atual situação em que estamos está longe de indicar um crise hídrica como ocorreu no ano de 2021, quando foi inevitável manter o acionamento das termelétricas e com isso houve o drástico aumento nos custos da energia e no restante da cadeia de suprimentos. Por enquanto, o possível acionamento das termelétricas seria somente por uma garantia de maior segurança hídrica até o início do próximo período chuvoso.