Adaptação silenciosa da Amazônia à seca vem acompanhada de perda de biodiversidade, alerta estudo da UFMG
Um levantamento científico recente evidenciou que as árvores presentes nas regiões leste e sul do território estão adotando mecanismos de sobrevivência típicos das espécies encontradas no tradicional cerrado brasileiro.

Nas últimas quatro décadas, a Floresta Amazônica iniciou um processo contínuo e silencioso de transformação. Para conseguir suportar o aumento constante do calor e a escassez aguda de água, a vegetação está mudando progressivamente o seu funcionamento, se tornando mais tolerante aos longos períodos de estiagem que assolam a região.
O levantamento, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em conjunto com a Universidade de Oxford e a Unemat, deixa evidente que a flora local começou a adotar estratégias de sobrevivência muito semelhantes às encontradas em regiões naturalmente áridas, aproximando-se das características de resistência típicas do cerrado brasileiro.
Sinais físicos de uma mudança estrutural profunda
As alterações biológicas se manifestam nas porções sul e leste do grande território, áreas que vêm sendo historicamente mais castigadas pelo estresse térmico e pela falta de chuvas recentes. Nessas zonas geográficas específicas, as plantas precisaram desenvolver folhas mais duras e rígidas, um artifício físico comum em espécies forçadas a lidar com a secura extrema do ambiente.
Para comprovar essa teoria, cientistas observaram nas imagens espaciais que a variabilidade da luz refletida pelas imensas copas florestais despencou quase dez pontos percentuais no intervalo entre os anos de 1984 e 2022. Mesmo garantindo a manutenção temporária das árvores em pé, essa nova configuração biológica cobra um preço altíssimo e perigoso do ecossistema.

O ajustamento forçado acarreta uma visível queda na produtividade florestal e uma redução drástica na capacidade de absorção de carbono, prejudicando severamente os esforços globais de combate ao aquecimento do planeta. Somado a isso, as modificações estruturais elevam significativamente o risco de incêndios de grandes proporções, uma vez que a folhagem ressecada funciona como um excelente combustível natural durante os meses de seca.
Caminhos práticos para tentar evitar o colapso
As amplas análises confirmam que o sofrimento hídrico prolongado já deixou marcas permanentes no bioma. Essa transição abrupta prejudica a biodiversidade original, ameaçando a existência de mamíferos de grande porte, diversas espécies de aves e milhões de insetos, além de comprometer diretamente a segurança alimentar e a disponibilidade de água potável para grande parte da população da América do Sul.
Algo muito preocupante é notar que o enfraquecimento e a perda de umidade atingem até mesmo os densos blocos florestais intactos, onde teoricamente não existe qualquer tipo de atividade exploratória humana direta. Portanto, um rígido planejamento integrado do uso da terra aparece atualmente como a principal saída governamental para tentar evitar o desmatamento desordenado que impulsiona a fragmentação perigosa do bioma.
Adicionalmente, o monitoramento preventivo constante, quando aliado ao forte incentivo financeiro para uma agropecuária de baixo impacto, representam estratégias absolutamente indispensáveis para preservar a vitalidade amazônica e evitar perdas ecológicas irreparáveis.
Referências da notícia
Floresta Amazônica está mais resistente à seca, diz estudo da UFMG. 25 de fevereiro, 2026.
Estudo UFMG: Sob pressão climática, Amazônia muda sua estratégia para sobreviver à seca. 10 de fevereiro, 2026.