NASA dá um alerta: nem todos os asteroides que se aproximam da Terra podem ser desviados
Embora a missão DART para desviar um asteroide tenha sido um sucesso, especialistas alertam que a falta de detecção precoce representa desafios críticos para a defesa planetária.

A NASA celebrou recentemente um marco sem precedentes na história espacial ao desviar com sucesso um pequeno corpo celeste quando a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) colidiu com o Dimorphos, demonstrando que possuímos a tecnologia para alterar órbitas no espaço.
No entanto, esse triunfo científico vem acompanhado de um alerta importante dos especialistas: Dimorphos era um aglomerado de detritos pouco coeso, o que facilitou seu movimento; porém, nem todos os perigos espaciais compartilham essa estrutura flexível.
Se um objeto metálico ou monolítico estivesse se dirigindo para a Terra, o impacto cinético por si só poderia ser insuficiente. A ausência de ejeção de material reduziria o impulso necessário para mover a rocha; portanto, precisamos de um arsenal de defesa muito mais diversificado.

Atualmente, não existe um sistema de resposta pronto para implantação imediata. Embora tenhamos comprovado que é possível desviar objetos, não possuímos espaçonaves de prontidão para interceptar uma ameaça real, e a preparação exige tempo e investimento financeiro contínuo.
A Dra. Nancy Chabot, cientista planetária no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, enfatiza que não estamos preparados para agir diante de um perigo iminente e, embora a missão DART tenha sido apenas uma prova de conceito em condições ideais, a realidade apresenta desafios muito mais complexos e objetos muito maiores.
Os "assassinos da cidade" à solta
O maior temor está nos asteroides de tamanho médio, conhecidos como "assassinos de cidades". Esses objetos medem cerca de 140 metros e possuem energia suficiente para devastar regiões inteiras. Surpreendentemente, ainda não sabemos a localização exata da grande maioria deles.
Estimativas recentes sugerem que existem aproximadamente 25.000 objetos perigosos nessa categoria específica. Até o momento, conseguimos identificar apenas cerca de 40% deles, o que preocupa a comunidade científica, já que um impacto poderia ocorrer sem aviso prévio.
Ao contrário dos gigantescos destruidores de planetas que estão bem posicionados, esses objetos escapam aos telescópios tradicionais porque sua capacidade de se esconder no brilho do Sol os torna letais. Portanto, devemos priorizar a detecção precoce em qualquer estratégia futura.
Um impacto direto em uma metrópole liberaria energia equivalente a 300 milhões de toneladas de TNT, superando em muito o poder das maiores armas nucleares já construídas. A proteção da nossa civilização depende inteiramente de encontrá-los muito antes de sua chegada.
NEO Surveyor: um olho na escuridão
Para solucionar esse problema de visibilidade, a NASA lançará o telescópio NEO Surveyor em 2027. Essa missão é uma ferramenta projetada especificamente para nos proteger, utilizando sensores infravermelhos para detectar o calor emitido por rochas.
O telescópio será localizado no ponto gravitacional L1, situado entre a Terra e o Sol, de onde poderá observar áreas do céu invisíveis para equipamentos terrestres; essencialmente, será nossa primeira linha de vigilância global constante.

A vantagem da luz infravermelha é que ela permite o cálculo altamente preciso do tamanho de asteroides. Ao observar o brilho térmico, os cientistas saberão se estão diante de uma montanha metálica ou de um amontoado de rochas; com essa informação, poderão planejar sua resposta.
A Dra. Nancy destaca que encontrar asteroides antes que eles nos encontrem é uma prioridade, portanto, o objetivo da Surveyor será descobrir 90% dos objetos perigosos restantes. Com esses dados em mãos, poderemos então decidir se devemos desviá-los ou destruí-los.
O futuro da defesa planetária
A defesa da Terra deixou de ser um recurso narrativo de filmes para se tornar uma verdadeira necessidade científica. Eventos como o impacto do asteroide em Chelyabinsk, em 2013, lembraram o mundo da nossa vulnerabilidade. Desde então, a coordenação internacional cresceu exponencialmente.
Além do impacto cinético, outras técnicas estão sendo exploradas, como o uso de tratores gravitacionais, já que cada tipo de asteroide exige uma solução personalizada com base em sua densidade e órbita. A diversidade do nosso arsenal defensivo será o que garantirá a sobrevivência da nossa espécie.
Missões como a OSIRIS-APEX continuam estudando de perto a composição desses viajantes espaciais, porque entender a geologia desses objetos é tão importante quanto prever sua trajetória exata.
A mensagem da NASA é clara: o tempo é nosso melhor aliado e, se pudermos identificar ameaças com décadas de antecedência, teremos uma chance maior de sobrevivência. A missão NEO Surveyor representa essa esperança necessária para que o céu deixe de ser uma fonte de medo.