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O que são os bloqueios atmosféricos?

Os bloqueios atmosféricos são sistemas meteorológicos que geralmente estão associados a um período mais quente e seco que o normal. Por este motivo, são sistemas extremamente importantes na elaboração de previsões, principalmente para os setores hídricos, energético e agropecuário do país.

Paola Bueno Paola Bueno 08 Jan. 2019 - 11:30 UTC
Bloqueios atmosféricos geralmente estão associados a dias mais quentes e com pouca chuva e nebulosidade.

Chuvas em excesso podem gerar grandes transtornos, como deslizamentos de terra, enchentes, alagamentos e inundações. Por outro lado, a falta de chuva também gera problemas de grande magnitude, associados principalmente a escassez hídrica, que prejudica o abastecimento de água e energia à população e também às atividades agropecuárias. Em muitos casos, essa falta de chuvas por vários dias consecutivos está associada aos chamados bloqueios atmosféricos!

A circulação atmosférica de latitudes médias é caracterizada pela presença de um escoamento de ventos fortes em altos níveis, que sopram de oeste para leste, chamado de Jatos de Altos Níveis. Esses jatos são responsáveis pelo deslocamento para leste dos sistemas sinóticos, como as frentes, os ciclones e anticiclones. Às vezes, essa circulação é interrompida pela presença de um anticiclone quase estacionário, em torno de 45°S, interrompendo a progressão para leste dos sistemas sinóticos, configurando uma situação de bloqueio.

Com a presença desse bloqueio o Jato de Altos Níveis é dividido em dois ramos, o que acaba quebrando seu padrão de escoamento zonal (direção oeste/leste) e alterando o deslocamento dos sistemas sinóticos, fazendo com que eles fiquem estacionários ou se desviem para nordeste ou sudeste. Esse padrão pode durar por vários dias, fazendo com que as regiões que dependem da passagem desses sistemas sinóticos tenham alterações nos seus padrões de chuva e temperatura.

Bifurcação sofrida pelos Jatos de Altos Níveis devido a presença de um bloqueio.

Dessa forma, de modo geral o bloqueio corresponde a presença de um anticiclone anômalo persistente, posicionado mais a sul da posição climatológica dos anticiclones. Porém, o bloqueio pode se configurar de formas diferentes nos campos de médios e altos níveis da atmosfera, geralmente, classificado em três tipos:

  • Tipo Dipolo: constitui-se de um anticiclone de grande amplitude acompanhado de um ciclone no lado equatorial. Nesse caso há um desvio dos jatos tanto para o sul quanto para o norte;
  • Tipo Ômega: constitui-se de um anticiclone entre dois ciclones, fazendo com que o escoamento dos jatos se desvie para sul, formando a letra Ômega invertida;
  • Bloqueio formado por um anticiclone ou crista estacionária de grande amplitude, que faz com que os jatos e sistemas sinóticos tenham que desviar por latitudes mais altas (mais a sul).
Os três tipos de padrões de bloqueios e as alterações sofridas pelos Jatos de Altos Níveis (setas roxas).

Os bloqueios podem se formar em qualquer época do ano, mas, para a América do Sul, eles são mais frequentes durante os meses de outono, inverno e primavera, sendo menos frequentes no verão.

A formação dos bloqueios geralmente está associada a mecanismos de uma escala maior que a sinótica, eles são resultado de grandes ondas planetárias quase estacionárias e de grande amplitude. Foi o caso do bloqueio estabelecido no verão de 2014 sobre o Sudeste do Brasil, resultante de um padrão de ondas atmosféricas emanado do Oceano Pacífico Oeste. Esse foi um dos episódios mais marcantes, pois foi responsável por uma das piores crises hídricas da região Sudeste, inibindo a formação das zonas de convergência, responsáveis pela formação de chuva em grande parte do Brasil durante o período chuvoso.

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