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A complexidade por trás do El Niño-Oscilação Sul

Até os dias de hoje já se sabe muita coisa sobre um dos fenômenos climáticos mais importantes do planeta, o El Niño-Oscilação Sul. Porém, estudos recentes mostram que esse fenômeno é muito mais complexo e imprevisível do que imaginamos.

Paola Bueno Paola Bueno 31 Jul. 2018 - 13:22 UTC
O El Niño-Oscilação Sul é uma importante oscilação climática oceânica e atmosférica. Fonte: NASA.

O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é uma oscilação oceano-atmosfera, associada a alterações da temperatura de superfície do mar, ventos, pressão e precipitação no oceano Pacífico Tropical, porém com reflexos em diversos lugares do planeta. Essa oscilação possui três fases: a fase neutra, quente (El Niño) e fria (La Niña). O El Niño está associado a águas mais quentes que o normal no Pacífico Tropical Central e Leste, enquanto que o La Niña está associado a águas mais frias.

Em uma condição típica de El Niño, os ventos de leste que sopram sobre o Pacífico são enfraquecidos, ocasionando no aquecimento das águas do Pacífico Central e Leste. Isso acaba deslocando a região de convecção profunda do Pacífico Tropical Oeste para os setores central e leste, alterando a circulação atmosférica equatorial. Esse padrão já bem conhecido e representa os principais aspectos do El Niño, porém, ao analisar os eventos passados, percebemos que não é tão simples assim.

Em um estudo publicado pela Nature, cientistas investigaram os principais aspectos que diferem os eventos de El Niño e revelaram que sua complexidade é muito maior do que imaginávamos. Nenhum evento é igual ao outro, eles mudam não só de intensidade, mas também em relação a sua evolução temporal e espacial. Um dos principais resultados obtidos indica a existência de dois padrões de El Niño. O primeiro padrão representa a maior parte dos eventos, e está associado a um maior aquecimento do Pacífico Leste, com um período de ocorrência que varia entre 3 a 7 anos. O segundo padrão está associado a um aquecimento centrado no Pacífico Central e águas mais frias no Pacífico Leste, com um período de ocorrência mais curto, de 2 a 3 anos. Esse segundo padrão também é chamado de El Niño Modoki.

A variabilidade espacial do El Niño é representada por dois padrões: o El Niño no Pacífico Central e do Pacífico Leste. Fonte: NOAA Climate.gov

Geralmente os eventos de El Niño do Pacífico Leste são mais intensos. Além disso, tipicamente os eventos de El Niño se iniciam durante o outono do hemisfério sul, crescem durante o inverno e primavera, atingem seu máximo no verão e decaem rapidamente no final do verão e outono, e no verão seguinte há uma transição para condições de La Niña. Porém, observações indicam que os El Niños do Pacífico Central terminam antes que o normal e a probabilidade de serem seguidos por um evento de La Niña é bem menor.

Outros estudos também mostram que essa diversidade do ENOS também pode ser modulada por oscilações climáticas vindas de fora do Pacífico Tropical. Como por exemplo a Oscilação do Pacífico Sul, que está associada a variações da Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS). Na sua fase negativa há um fortalecimento da ASPS, intensificando os ventos que sopram de sudeste no Pacífico Tropical, o que contribui para a ressurgência de águas mais frias no Pacífico Leste, favorecendo a formação de um El Niño do Pacífico Central (Modoki).

Resultados como estes resumem somente uma pequena parte da complexidade e mistério por trás de um dos fenômenos climáticos mais importantes que regem o clima global, evidenciando as dificuldades e desafios na previsão desses fenômenos.

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