Tempestade Subtropical Caiobá faz parte de formação rara dupla e não traz riscos para o Brasil; confira

Apesar de Caiobá ser uma tempestade subtropical com características incomuns, o ciclone não traz riscos para o país e já se localiza longe do continente. Confira o que as previsões indicam para os próximos dias.

Previsão de pressão e vento no início desta terça-feira mostra a Tempestade Subtropical batizada como Caiobá sobre o Oceano Atlântico Sul, com rajadas de até 108 km/h.
Previsão de pressão e vento no início desta terça-feira mostra a Tempestade Subtropical batizada como Caiobá sobre o Oceano Atlântico Sul, com rajadas de até 108 km/h.

Nesta segunda-feira (2), o Centro de Hidrografia da Marinha (CHM) emitiu uma análise sinótica informando a nomeação de um ciclone subtropical, que esteve se formando sobre o Oceano Atlântico sul ao longo dos últimos dias. O fenômeno se destaca por ser o primeiro ciclone subtropical nomeado desde 2024.

O último ciclone a ser nomeado na costa brasileira foi a tempestade subtropical Biguá, que ocorreu em dezembro de 2024 entre a costa do Brasil e do Uruguai. Ao longo de todo o ano de 2025, nenhuma tempestade anômala significativa foi registrada.

A tempestade subtropical foi batizada de Caiobá nesta segunda-feira (2) e é a primeira de 2026 a se formar na costa brasileira. O sistema começou a se desenvolver entre a costa do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, se afastando na sequência em direção sudeste sobre o Oceano Atlântico.

Carta sinótica do CHM emitido nesta segunda-feira às 12Z mostra a presença de uma tempestade subtropical batizada de Caiobá. O sistema já está bastante afastado do Brasil.
Carta sinótica do CHM emitido nesta segunda-feira às 12Z mostra a presença de uma tempestade subtropical batizada de Caiobá. O sistema já está bastante afastado do Brasil.

Como podemos observar na imagem acima, o fenômeno se forma sobre os rastros de uma região de convergência de umidade onde estão sendo registrados grandes volumes de chuva, classificada pela Marinha como uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).

Caiobá não traz riscos para o Brasil

Vale notar, no entanto, que o sistema já está bastante afastado do continente e não deve impactar diretamente o Brasil. Embora previsões indiquem rajadas máximas de 108 km/h e mar grosso sobre sua região de atuação, o sistema continuará se afastando do país nos próximos dias.

Previsão de pressão, nebulosidade e chuva nesta segunda-feira durante a tarde já mostra que a tempestade subtropical Caiobá está bastante distante do continente. Ela não atingirá o Brasil.
Previsão de pressão, nebulosidade e chuva nesta segunda-feira durante a tarde já mostra que a tempestade subtropical Caiobá está bastante distante do continente. Ela não atingirá o Brasil.

O máximo de influência que esta tempestade traz para o país é que a circulação associada ao fenômeno ajuda a organizar o fluxo de umidade e a manter a faixa de precipitação intensa sobre o país - que já tem causado grandes transtornos para a população nos últimos dias.

Seja o primeiro a receber as previsões graças ao nosso novo canal de Whatsapp. Siga-nos e ative as notificações!

A maior parte dos ciclones que se formam na costa do Brasil são extratropicais. Estes sistemas geralmente se formam semanalmente, e devido à sua grande frequência, não são nomeados. Estes ciclones são os responsáveis por formar e impulsionar frentes frias pelo Brasil.

Imagem de Satélite (visível) nesta segunda-feira durante a manhã mostra a circulação associada à tempestade subtropical Caiobá. O sistema não apresenta riscos para o Brasil.
Imagem de Satélite (visível) nesta segunda-feira durante a manhã mostra a circulação associada à tempestade subtropical Caiobá. O sistema não apresenta riscos para o Brasil.

Outros tipos de ciclones são muito menos comuns por aqui. Ciclones Subtropicais, em particular, se formam sobre águas quentes e unem características de ciclones extratropicais e tropicais. Costumam apresentar ventos afastados do centro e núcleo parcialmente quente. Além disso, a velocidade dos ventos também conta. Apenas sistemas com velocidades sustentadas superiores a 60 km/h são nomeados.

Primeira vez na história que dois sistemas subtropicais coexistem no Atlântico Sul

Com suas características subtropicais e velocidades sustentadas de pelo menos 74 km/h (40 nós) nesta segunda-feira, a Marinha decidiu batizar a tempestade subtropical Caiobá para registrar formalmente a ocorrência do fenômeno. Mas há também outro sistema subtropical atuando ao mesmo tempo no Oceano Atlântico Sul.

Existe outra particularidade sobre este fenômeno: Ele ocorre simultaneamente a uma depressão subtropical, como podemos observar na carta sinótica da Marinha. Esta é, portanto, a primeira vez na história registrada em que dois ciclones tropicais ou subtropicais coexistiram simultaneamente no Atlântico Sul.

A depressão subtropical que acompanha Caiobá, por outro lado, embora seja uma ocorrência histórica, até o momento permaneceu com ventos menos intensos e, portanto, deve continuar sem nome.