SC e PR têm data marcada para chegada do tempo severo; confira o alerta

O fim de semana será de tempestades severas sobre o Rio Grande do Sul. A partir de terça (20), no entanto, os sistemas começam a ganhar força sobre Santa Catarina e Paraná.

Risco de transtornos: tempestades intensas com risco de granizo, extremos de vento e mais de 100 mm de chuva em 24 horas.
Risco de transtornos: tempestades intensas com risco de granizo, extremos de vento e mais de 100 mm de chuva em 24 horas.

O alerta de tempo severo para a região Sul do país a partir dessa sexta-feira (17) está mantido. A configuração atmosférica em grande escala está sendo moldada pelo impressionante El Niño que vem se fortalecendo, o que favorece uma combinação particularmente perigosa sobre o Cone Sul da América do Sul, muito favorável ao desenvolvimento de tempestades severas e chuvas volumosas.

Entre sábado (18) e domingo (19), tempestades intensas devem tomar conta do estado do Rio Grande do Sul. A partir de segunda-feira (20), a fronteira com Santa Catarina já pode ser impactada com tempestades, mas é ao longo da terça-feira (21) que os sistemas ganham força sobre Santa Catarina e o Paraná. A seguir, confira os detalhes da previsão e entenda o papel do El Niño na configuração prevista para os próximos dias.

Alerta de tempestades intensas e chuvas extremas

No decorrer da segunda-feira (20), a área de Santa Catarina que faz fronteira com o Rio Grande do Sul já pode ter tempestades isoladas, que devem ganhar força a partir da noite, especialmente no oeste e sul do território catarinense. Na terça-feira (21), tempestades intensas ainda estão previstas sobre o Rio Grande do Sul, mas começam a avançar com mais vigor sobre Santa Catarina e o Oeste do Paraná.

Previsão de tempestades intensas nesta terça-feira (21), segundo o ECMWF.
Previsão de tempestades intensas nesta terça-feira (21), segundo o ECMWF.

A tendência é que tempestade intensas continuem se formando sobre Santa Catarina e, principalmente, o Paraná (metade oeste) durante até, pelo menos, quinta-feira (23). Embora tempestades intensas possam ocorrer sobre todo o território de ambos os estados, as tempestades mais intensas estão previstas para o oeste dessas regiões, onde não se descarta a ocorrência de granizo e extremos de vento (como microexplosões ou tornados isolados).

Embora os maiores volumes de chuva previstos para os próximos dias se localiza sobre o Rio Grande do Sul, podendo se aproximar de 300 mm, regiões de Santa Catarina e do Paraná podem ter acumulados superiores a 120 mm em 24 horas: terça (21) sobre Santa Catarina e quarta (22) sobre o Paraná, elevando o risco de transtornos. Até o fim da semana, os acumulados podem se aproximar ou ultrapassar 200 mm.

Previsão de chuva acumulada até o final de quarta-feira (22), segundo o ECMWF.
Previsão de chuva acumulada até o final de quarta-feira (22), segundo o ECMWF.

Estes volumes são considerados incomuns a extremos para a época, condição que é ressaltada pelo índice de previsão extrema (EFI) para precipitação do modelo ECMWF na escala de cores nos mapas abaixo.

EFI do ECMWF para precipitação na terça (21) e quarta-feira (22). Créditos: Elaborada por Meteored com mapas do ECMWF.
EFI do ECMWF para precipitação na terça (21) e quarta-feira (22). Créditos: Elaborada por Meteored com mapas do ECMWF.

Este índice não prevê valores, mas sim destaca áreas onde há grande probabilidade de a precipitação diária atingir valores excepcionalmente elevados para a época do ano, próximos ou superiores ao percentil 99 da climatologia do modelo - apenas 1% das previsões.

Transtornos potenciais relacionados a queda de granizo, ventos intensos, alagamentos e enxurradas repentinas são esperados. A população deve acompanhar as atualizações da previsão do tempo e os alertas da Defesa Civil. Durante tempestades, procure abrigo em um local seguro, não atravesse áreas alagadas, seja a pé ou de carro, e, em regiões com histórico de enchentes ou deslizamentos, tenha um plano de evacuação caso seja necessário. Em situações de emergência, acione a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193).

Atmosfera em modo El Niño

Neste momento, a circulação tropical está dominando a circulação global, e influenciando os padrões de tempo em todo o globo. Na imagem abaixo, a área em azul mostra a região onde o El Niño exerce sua influência mais direta sobre a circulação atmosférica, com maior formação de nuvens e tempestades.

Embora a região de atuação mais direta do fenômeno seja no Pacífico Central, a atmosfera funciona como um sistema interligado. A partir desse centro de aquecimento, grandes ondas atmosféricas se propagam ao redor do globo, alterando a posição dos jatos de vento, dos sistemas de alta e baixa pressão e, consequentemente, os padrões de chuva e temperatura em áreas.

Sobre a América do Sul, a configuração predominante - e perigosa - envolve a atuação do Jato de Baixos Níveis da América do Sul (JBNAS) excepcionalmente fortalecido (superior a 150 km/h), transportando grandes quantidades de calor e umidade da Amazônia para o Sul do continente.

Previsão de anomalia de temperatura de 16°C acima da média no RS (esquerda) e rio atmosférico intenso (direita).
Previsão de anomalia de temperatura de 16°C acima da média no RS (esquerda) e rio atmosférico intenso (direita).

Ao mesmo tempo, um jato subtropical intenso atua em altos níveis sobre o Sul do Brasil, com uma região de divergência associada a uma perturbação atmosférica quase estacionária, favorecendo a ascensão do ar e a manutenção da convecção.

O acoplamento entre os jatos de baixos e altos níveis intensifica os movimentos ascendentes da atmosfera, favorecendo a formação e a organização das tempestades.

Nesse ambiente altamente favorável, a passagem de frentes frias potencializa ainda mais a ocorrência de chuva intensa. Ao mesmo tempo, um bloqueio atmosférico sobre o Sudeste do Brasil dificulta o deslocamento dos sistemas meteorológicos, fazendo com que as áreas de chuva permaneçam atuando sobre a mesma região por mais tempo.