Novo ciclone afeta o Brasil nesta semana; saiba quando e o que esperar

Um novo ciclone está previsto para se formar a partir de quarta-feira (4), na costa Sul do Brasil, organizando tempestades e chuvas intensas sobre o interior do país ao longo da semana.

Com suporte de um rio atmosférico, algumas áreas terão chuvas extremas e acumulados de 200 mm.
Com suporte de um rio atmosférico, algumas áreas terão chuvas extremas e acumulados de 200 mm.

A primeira semana de fevereiro será muito chuvosa em grande parte do Brasil. A área que abrange as regiões Centro-Oeste, Sudeste, metade norte da região Sul e grande parte do Nordeste deve ter chuvas acima da média.

Este padrão de chuvas responde à atuação de dois ciclones: um deles se formou no último fim de semana, e suas chuvas ainda atuam sobre país no início da semana, enquanto o próximo se forma a partir de quarta-feira (4).

Há risco de tempestades intensas e chuvas volumosas, com riscos de transtornos à população, principalmente sobre o Mato Grosso do Sul, onde já choveu 90 mm ao longo da manhã de segunda-feira (2), e também no Rio de Janeiro. Confira os detalhes.

Semana chuvosa no Brasil central

A previsão semanal de anomalia de chuva do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, destaca que os valores serão acima da média em uma área que cobre, principalmente, as regiões Centro-Oeste e Sudeste, mas se estende também sobre grande parte do Nordeste e metade norte da região Sul.

Previsão de anomalia semanal de chuva (mm), de acordo com o ECMWF. Créditos: ECMWF.
Previsão de anomalia semanal de chuva (mm), de acordo com o ECMWF. Créditos: ECMWF.

As maiores anomalias estão previstas sobre o estado do Mato Grosso do Sul, com mais de 90 mm acima da média. No Sul e Sudeste, as anomalias devem ser em torno de 30 a 60 mm, enquanto no Nordeste 30 mm acima da média. Nas demais áreas, as chuvas devem ser abaixo da média.

Ciclone com suporte de rio atmosférico

Enquanto uma área de baixa pressão se intensifica (tecnicamente, “se aprofunda”) ao longo da costa Sul/Sudeste do Brasil para formar um ciclone na quarta-feira (4), a umidade da região tropical é canalizada em direção à baixa pressão, que serve como uma espécie de “âncora” na atmosfera, formando um “rio atmosférico”.

Um rio atmosférico é uma região com uma enorme quantidade de vapor d’água, comparável ao volume de um rio, e é um ingrediente importante para tempestades intensas e chuvas extremas.

Previsão de ciclone (identificado pela letra L no campo de pressão) e rio atmosférico nesta quarta-feira (4), de acordo com o ECMWF.
Previsão de ciclone (identificado pela letra L no campo de pressão) e rio atmosférico nesta quarta-feira (4), de acordo com o ECMWF.

Apesar do ciclone se consolidar na quarta (4), este rio já atua desde o final do domingo (1), em uma área que se estende desde a Amazônia, passando pelo Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

A maior intensidade do rio atmosférico está prevista para ocorrer entre segunda (2) e terça-feira (3), especialmente sobre o Mato Grosso do Sul (que deve ter chuvas extremas), mas ele continuará atuando até, pelo menos, quinta-feira (5), auxiliando na manutenção das chuvas sobre o país.

Alerta de chuvas extremas

Assim como segunda (2), entre terça (3) e quarta-feira (4) há alertas vigentes para chuvas extremas, com base no índice de previsão extrema (EFI) do modelo ECMWF para precipitação.

O EFI ressalta onde a precipitação diária prevista é muito diferente da climatologia do modelo, com índice variando entre:

  • 0,5 a 0,8 - alertando para provável ocorrência evento “incomum”
  • 0,8 a 1 - alertando para provável ocorrência de evento “extremo”

O Mato Grosso do Sul deve ser o estado mais afetado, com três dias de chuvas ‘incomuns’ a ‘extremas’, onde os maiores acumulados estão previstos.

EFI do ECMWF para precipitação nesta terça (3) e quarta-feira (4). Créditos: Adaptado de ECMWF.
EFI do ECMWF para precipitação nesta terça (3) e quarta-feira (4). Créditos: Adaptado de ECMWF.

Além do Mato Grosso do Sul, também estão em alerta parte do Paraná e de São Paulo. Contudo, tempestades e chuvas intensas vão se espalhar sobre uma ampla área, que vai além daquela destacada pelo EFI.

Tempestades e chuvas intensas até o fim da semana

Na terça-feira (3), tempestades devem ocorrer sobre o Mato Grosso do Sul desde a madrugada até o anoitecer, o que se relaciona diretamente com os alertas de chuvas extremas. Entre a manhã e a tarde, se espalham por diversos em todas as regiões do Brasil, ganhando intensidade principalmente sobre o Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo e faixa leste de Minas Gerais, podendo alcançar também o oeste da Bahia.

Previsão de tempestades nesta terça-feira (3), de acordo com o ECMWF.
Previsão de tempestades nesta terça-feira (3), de acordo com o ECMWF.

Na quarta-feira (4), tempestades podem ocorrer entre a madrugada e amanhecer no interior do Nordeste, no Mato Grosso do Sul e na faixa leste de Santa Catarina.

À tarde, novamente as tempestades se espalham e se intensificam, com um alerta especial para o Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, onde têm potencial de ser mais intensas.

As chuvas serão intensas sobre diversos pontos do Brasil central, faixa leste do Sudeste e também no centro-leste de Santa Catarina.

Previsão de chuva nesta quarta-feira (4), de acordo com o ECMWF.
Previsão de chuva nesta quarta-feira (4), de acordo com o ECMWF.

Chuvas intensas e tempestades continuam atuando sobre esta mesma faixa até, pelo menos, sábado (7). Os acumulados até lá devem ultrapassar 200 mm no Mato Grosso do Sul, a região mais afetada nesta semana, e no sudoeste de Minas Gerais.

Previsão de chuva acumulada até sábado (7), de acordo com o ECMWF.
Previsão de chuva acumulada até sábado (7), de acordo com o ECMWF.

Atenção redobrada também para o estado do Rio de Janeiro, com chuvas se aproximando de 200 mm, assim como na Zona da Mata, em Minas Gerais. Diversos pontos do interior de São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Bahia terão acumulados expressivos e acima de 150 mm.

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A população e as autoridades devem estar em alerta para transtornos relacionados a tempestades intensas, como rajadas de vento intensas, granizo, e alagamentos súbitos, bem como para os volumes elevados que podem causar alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra em áreas fragilizadas e vulneráveis.