Safra 2026 no Paraná: o mês de fevereiro será decisivo com menos chuva no radar; entenda o risco
Safra 2026 no Paraná começa forte: a soja mira 22 milhões de toneladas e o milho passa de 3 milhões. Mas fevereiro é decisivo, com menos chuva no radar do INMET. Entenda e acompanhe de perto agora.

O Paraná chega a fevereiro com um retrato otimista da safra de verão. A atualização do DERAL (dados de 26/01/2026) aponta grande volume em grãos e produtividade elevada em culturas-chave, informação que mexe com renda no campo, oferta de alimentos e logística.
É também quando a demanda por água sobe e a evapotranspiração acelera; alguns dias ruins seguidos podem reduzir o potencial produtivo, mesmo sem um evento extremo.
O que os números de janeiro mostram
Na soja (1ª safra), a projeção chega a 22,04 milhões de toneladas, com rendimento estimado em ~3.815 kg/ha e área próxima de 5,78 milhões de hectares. No milho (1ª safra), o número é de 3,47 milhões de toneladas, com produtividade acima de 10 t/ha. São patamares fortes para o período e ajudam a explicar por que o tema viraliza: sinalizam oferta e pressionam decisões de compra, venda e armazenamento.

Ao mesmo tempo, o boletim lembra que o estado é diverso. O feijão (1ª safra) aparece menor que no ciclo anterior, mostrando que área e risco variam por região e calendário. E há um efeito dominó importante: qualquer atraso de colheita em fevereiro tende a apertar janelas de operação e pode encostar no planejamento de segunda safra em algumas áreas.
O radar de risco para os próximos 30 dias
A previsão climática mensal do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para fevereiro de 2026 indica predomínio de chuva abaixo da média em praticamente todo o Paraná, com temperaturas próximas da média e leve tendência de calor acima do normal no centro-norte do estado. Se esse padrão se confirmar, o risco sobe justamente onde o plantio foi mais tardio e o solo tem menor retenção de água, porque a planta entra em “modo de economia” e perde eficiência no enchimento de grãos.

Na virada de janeiro para fevereiro, o INMET também destacou um Sul com períodos secos e temperaturas elevadas (máximas de 32–38 °C no sul do Paraná), além de episódios concentrados que podem superar 100 mm no leste do estado. Esse contraste, calor e pancadas, aumenta estresse, favorece doenças em momentos de umidade alta e encurta janelas de operação no campo, o que costuma pesar mais no resultado final do que parece no dia a dia.
- Sede na planta: folhas perdendo turgor nas horas quentes, abortamento de flores/vagens e enchimento mais lento.
- Chuva concentrada: solo encharcado, máquina fora da área e pressão maior de doenças foliares.
- Janela curta: antecipar ou postergar aplicação/colheita para não perder o melhor momento.
- Qualidade: risco de grão úmido, perdas por atraso e gargalo de secagem/armazenagem.
O peso do Paraná na formação da safra e dos preços
Quando soja e milho do Paraná vão bem, o efeito se espalha rápido: muda a percepção de oferta, mexe com o humor do mercado e acaba chegando ao bolso. Preço, disponibilidade, demanda por transporte, custo de frete e até a “fila” de armazenagem e secagem sentem esse movimento, porque o estado pesa na engrenagem nacional de grãos.
Com chuva abaixo da média no radar, vale monitorar diariamente e reagir cedo aos sinais de estresse da lavoura, como queda de turgor nas horas mais quentes, abortamento de flores/vagens, enchimento de grãos mais lento e encurtamento das janelas de operação.
A lógica é simples: agir antes reduz perdas invisíveis e evita que a produtividade caia de forma silenciosa, quando já não dá mais tempo de recuperar o potencial do talhão.
Referência da notícia
COMPARATIVO DE ÁREA, PRODUÇÃO E RENDIMENTO DE CULTURAS SELECIONADAS. 26 de janeiro, 2026- SEAB.