Inverno: como será o clima da próxima estação?

O inverno meteorológico irá começar nesse próximo fim de semana. Será que o El Niño vai se intensificar ou enfraquecer? O que esperar para o próximo trimestre? Respondemos tudo aqui!

Tiago Robles Tiago Robles 30 Maio 2019 - 12:53 UTC
Com um El Niño de fraca intensidade e perdendo força, novamente o fenômeno não irá influenciar o clima no Brasil nos próximos meses.

Neste fim de semana inicia o inverno meteorológico no dia 01 de Junho. Até o momento, o El Niño não tem influenciado e o clima no Brasil vem sendo determinado nos últimos dias, principalmente, pela Oscilação Antártica e pelo Oceano Atlântico Sul. Aqui discutimos o cenário mais provável para os próximos meses.

El Niño, Oscilação Antártica e Madden-Julian

Em Abril o fenômeno El Niño foi estabelecido, uma vez que se completaram 5 meses consecutivos de temperaturas acima de 0,5°C no Pacífico Equatorial. No entanto, por se tratar de um fenômeno de fraca intensidade, outros fatores vêm influenciando o clima no Brasil. Dentre eles, o que mais se destacou na segunda quinzena de Maio foi a Oscilação Antártica, responsável pelo aumento da frequência de sistemas frontais e da incursão de massas de ar frio no Centro-Sul do país.

Para os próximos meses, modelos estatísticos e dinâmicos mostram, na média, que o El Niño irá perder intensidade. Assim podemos concluir que o fenômeno influenciará pouco nas condições meteorológicas do Brasil. Em relação à Oscilação Antártica, o índice caminha para a neutralidade, ou seja, se espera uma diminuição da passagem de sistemas frontais e massas de ar frio durante a primeira quinzena de Junho.

Modelos estatísticos e dinâmicos mostram, na média, que o El Niño irá perder intensidade ou se manter fraco nos próximos meses. Fonte: IRI ENSO Forecast

Já a Oscilação de Madden-Julian (MJO) irá influenciar o norte das regiões Norte e Nordeste, uma vez que a estação seca passa a ser estabelecida nas demais áreas. Para o próximo mês, MJO contribui para a diminuição das chuvas, passando a favorecer apenas na transição e primeira semana de Junho.

O trimestre Junho, Julho e Agosto segundo o CFSv2

Ao mesmo tempo em que o tempo seco passa a predominar em boa parte do país, na Região Sul, no extremo norte e no leste do Nordeste, as chuvas passam a ocorrer com maior frequência. Como discutido anteriormente, isso é o que se espera como condição média para a próxima estação. No entanto, o modelo CFSv2 mostra um cenário um pouco questionável. Para o Centro-Sul, as condições estão coerentes, já para o leste do Nordeste e extremo norte do país que se observa as incoerências.

Pelo que foi discutido anteriormente, não há motivos pelo qual, o CFSv2, mostrar chuvas abaixo da média para essas localidades. O que se espera de fato é uma condição dentro do esperado para este período, com pequenas variações no decorrer dos meses, como uma semana ou duas de chuvas irregulares por conta da MJO, mas nada que justifique volumes abaixo do esperado.

Em relação às temperaturas, o inverno será ligeiramente mais quente, uma vez que os sistemas frontais irão se manter mais ao sul, uma vez que as água do oceano estarão mais quentes na altura da Região Sul. Mas isso não quer dizer que não haverá frio, mas que a frequência de massas de ar frio que avançam por boa parte do país será menor.

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