Como será o clima em maio: El Niño já poderia afetar o Brasil?

Frio no Sul e calor no Brasil central marcam maio: El Niño se aproxima, mas ainda não influencia o clima no país neste mês; entenda.

A previsão do modelo ECMWF indica que o El Niño pode se estabelecer ao longo de maio. Créditos: ECMWF.
A previsão do modelo ECMWF indica que o El Niño pode se estabelecer ao longo de maio. Créditos: ECMWF.

O outono já caminha para sua reta final, marcado até agora por um padrão climático irregular em diferentes regiões do país. Dados de anomalia de precipitação entre março e abril (até o dia 27) indicam volumes abaixo da média na região Sul e em parte da metade norte da região Norte, enquanto acumulados acima do normal predominam entre o Nordeste e a costa norte. Nas demais áreas, as chuvas oscilaram próximas da média.

Em relação às temperaturas, as mínimas têm ficado acima do normal na maior parte do país, enquanto as máximas permanecem mais amenas, com exceção da região Sul, onde uma área persistente de calor tem mantido anomalias positivas em ambos os períodos do dia.

Anomalia de precipitação (esquerda), de temperatura mínima (centro) e máxima (direita) para março (superior) e entre 1 e 27 de abril (inferior). Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: CPTEC/INPE.
Anomalia de precipitação (esquerda), de temperatura mínima (centro) e máxima (direita) para março (superior) e entre 1 e 27 de abril (inferior). Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: CPTEC/INPE.

Com a chegada de maio, o último mês do outono meteorológico, surge a dúvida: o clima deve manter esse comportamento ou já há sinais de influência do El Niño? Confira os detalhes da previsão climática para maio.

Previsão de chuva e temperatura

A previsão do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, indica que o mês de maio será de chuvas abaixo da média no Brasil central e acima da média no litoral do Nordeste, costa norte do país e metade norte da região Norte.

Nas demais áreas, a cor branca representa que não há uma tendência clara, podendo ter condições acima ou abaixo da média. Já em termos de temperatura, a previsão mensal indica temperaturas entre 0,5°C e 2°C acima da média em todo o território.

Previsão de anomalia de precipitação (esquerda) e de temperatura (direita) para maio, de acordo com o modelo ECMWF. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: ECMWF.
Previsão de anomalia de precipitação (esquerda) e de temperatura (direita) para maio, de acordo com o modelo ECMWF. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: ECMWF.

Essa previsão foi rodada no início de abril, com as condições observadas até o fim de março, mas quando olhamos para a previsão de anomalia semanal, atualizada diariamente, temos um maior detalhamento.

Na região Sul, por exemplo, a maior tendência é de temperaturas entre a média e abaixo da média ao longo de maio, com até 3°C abaixo da média entre 11 e 18.

Isso indica que as massas de ar frio podem ficar mais restritas ao Sul do Brasil, sem frio intenso abrangente no centro-sul, como já pode ocorrer nesta época. No Brasil central uma bolha de calor deve atuar ao longo de todo o mês, com temperaturas entre 3°C e 6°C acima da média.

Previsão de anomalia semanal de temperatura (painel superior) e precipitação (painel inferior) ao longo do mês de maio, segundo o ECMWF. Créditos: Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: ECMWF.
Previsão de anomalia semanal de temperatura (painel superior) e precipitação (painel inferior) ao longo do mês de maio, segundo o ECMWF. Créditos: Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: ECMWF.

Já em termos de precipitação, as anomalias devem ser em torno da média ao longo do mês, sendo que as maiores anomalias estão previstas para a semana entre 4 e 11 de maio, com chuvas até 60 mm acima da média no Rio Grande do Sul e 33 mm na costa norte do país, enquanto ficam ligeiramente abaixo da média no Brasil Central.

Na segunda semana, a maior parte do país deve ter chuvas dentro da média, com chuvas ligeiramente abaixo da média entre o Sudeste e o Nordeste e ligeiramente acima da média no Norte. Na segunda quinzena do mês, o maior destaque é para chuvas acima da média na região Sul, enquanto o restante do país tem previsão de chuvas dentro da média.

E o El Niño?

A comunidade científica está em estado de atenção, à medida que um evento El Niño cada vez mais próximo. No boletim divulgado segunda-feira (27) pela NOAA, embora as condições de neutralidade estejam predominando, os sinais de aquecimento são claros: enquanto os extremos leste e oeste do Pacífico equatorial já apresentam anomalias de, pelo menos, +0,5°C, a região central vem aquecendo semana após semana desde o dia 18 de março, quando saiu do patamar de La Niña.

Anomalia semanal de TSM na região do Niño 3.4 entre 18 de março e 22 de abril. Créditos: Meteored/Dados: CPC/NOAA.
Anomalia semanal de TSM na região do Niño 3.4 entre 18 de março e 22 de abril. Créditos: Meteored/Dados: CPC/NOAA.

Além disso, uma intensa bolha de água quente na camada subsuperficial do oceano (300 m de profundidade) está subindo e cada vez mais próxima da superfície. Quando essa bolha alcançar a superfície na região central do oceano Pacífico, o evento será consolidado, o que pode ocorrer entre o final do outono e o início do inverno.

Evolução da anomalia de TSM nas regiões do Niño (esquerda) e das anomalias da temperatura das águas subsuperficiais (direita). Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: CPC/NOAA.
Evolução da anomalia de TSM nas regiões do Niño (esquerda) e das anomalias da temperatura das águas subsuperficiais (direita). Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: CPC/NOAA.

Desta forma, como a resposta da atmosfera às mudanças na temperatura da superfície do mar não é imediata, mesmo com o avanço do aquecimento no Pacífico ao longo de maio, os impactos típicos do El Niño sobre o clima do Brasil tendem a se manifestar meses após a consolidação do fenômeno. O pico do evento ocorre na primavera, enquanto os maiores impactos são sentidos no verão.

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Por isso o clima previsto para o mês de maio está sob influência de outros padrões de maior variabilidade, como a Oscilação Antártica (AAO). A AAO tem previsão de neutralidade, com viés negativo nas próximas semanas, o que tende a favorecer sistemas precipitantes no Sul do Brasil, corroborando com previsão de chuva e entrada de frio na região, apresentadas anteriormente.

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