Como será a segunda quinzena de Agosto?

O mês de Agosto vem sendo seco em boa parte do país. Sem a atuação dos fenômenos El Niño e La Niña, as condições meteorológicas das próximas semanas continuarão sob influência de outros fatores. Saiba o que esperar aqui.

Tiago Robles Tiago Robles 14 Ago. 2019 - 18:22 UTC
O mês de Agosto tende a se manter seco em boa parte do país.

A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) oficializou a condição de neutralidade do ENOS. Mesmo assim, não traz mudanças na elaboração de uma previsão climática, uma vez que o El Niño, que se fez presente ao longo da primeira metade deste ano, foi de fraca intensidade e o padrão de aquecimento da região do Pacífico Equatorial não correspondeu a uma situação clássica, resultando em uma atmosfera que não respondeu ao estímulo.

Assim, desde então, outros fatores vem influenciando o clima, como a Oscilação Antártica (AAO) e a temperatura da superfície do Atlântico (SST). A o oscilação de Madden-Julian, durante a estação seca no Brasil, não exerce influência. Em vista disso, vamos analisar os fatores.

A Oscilação Antártica e o Atlântico

A AAO foi o fator que deu os rumos das condições meteorológicas no Centro-Sul do país. Basta observar a tendência negativa no início de Agosto, que contribuiu para uma maior frequência de sistemas frontais e massas de ar polar, que levaram chuva e frio até a Bahia, o que contribuindo para acumulados ligeiramente acima do esperado para o nordeste mineiro, o Espírito Santo e o leste baiano.

Outro fator contribuinte para o aumento das chuvas no leste do país foram os ventos de leste, que com auxílio das águas mais aquecidas (maior evaporação e mais umidade para atmosfera) do Oceano Atlântico próximo a costa brasileira, o transporte de umidade foi mais efetivo para o continente.

Analisando as condições atuais de SST e a previsão de AAO, podemos esperar uma diminuição da frequência de sistemas frontais avançando pelo Centro-Sul, o que resulta na manutenção do tempo seco em boa parte do país. O fluxo de umidade se mantém do oceano em direção a costa leste do Brasil.

Tendência para os próximos 15 dias

A análise a seguir será feita através das anomalias médias de precipitação e de pressão ao nível médio do mar a cada 7 dias do modelo climático CFSv2. Os próximos dias ainda vão receber influência do sinal negativo do índice AAO, com atuação de frente fria, que provoca pouca chuva, e de uma massa de ar polar, que ao se afastar para o oceano, contribui para o transporte de umidade para a costa do Sudeste.

A partir de meados da próxima semana, a presença de uma massa de ar seco e fria, representada pela letra H e pela coloração mais avermelhada, dificulta o avanço dos sistemas frontais, reduzindo a chance de ocorrência de chuva. Somente no estado Rio Grande do Sul, o tempo mais instável ainda se fará presente, porém, não há previsão de chuvas volumosas. Já no leste do Nordeste, as condições se mantêm favoráveis às chuvas.

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