Ciclone incomum afeta o Brasil através do aumento da umidade e das chuvas neste fim de verão; entenda a previsão

Um ciclone transita entre características subtropicais e tropicais sobre o oceano Atlântico e ajuda a organizar a formação de tempestades sobre a região central do Brasil, mas até o momento não traz perigo para o país.
Um ciclone pouco comum está atuando sobre o oceano Atlântico. Embora ele não esteja atuando diretamente sobre o país e nem causando condições de tempo severo sobre o Oceano Atlântico, o sistema está auxiliando na manutenção das chuvas sobre uma faixa que compreende a porção central do país.
Isso acontece porque a circulação associada à esse ciclone está auxiliando no transporte e convergência de umidade em direção ao Sudeste do país, onde pancadas de chuva intensas tem se formado nos últimos dias.
As tempestades ocasionadas pelo fenômeno nessa região podem ocasionar volumes de chuva de até 100 mm/dia. Isso traz riscos de corte no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos, transbordamentos de rios e descargas elétricas (raios).

Isso por si só já não é uma característica comum para ciclones na costa brasileira. Mas além disso, o ciclone, que se originou na costa de São Paulo, manteve uma posição estacionária nos últimos tempos, sem se deslocar pelo oceano Atlântico.
Ciclone tropical na costa brasileira?
Acontece que, conforme o ciclone surgiu na costa de São Paulo, ele se deslocou em direção leste, como é comum para este tipo de sistema. Inicialmente, o sistema apresentou condições de núcleo quente e assimetria, típicos de ciclones subtropicais - embora seus ventos sustentados não sejam fortes e, portanto, o sistema não tenha sido nomeado pela Marinha brasileira.

No entanto, gradualmente, o sistema está transitando para condições fracas de núcleo quente simétrico conforme mantém posição estacionária - típico de ciclones tropicais, algo raríssimo de se observar no oceano Atlântico.
Apenas cinco tempestades tropicais foram observadas na costa Brasileira: Anita (2010), Iba (2019), um ciclone bomba muito breve e não-nomeado em Fevereiro de 2021, Akará (2024) e o famoso Catarina, de 2004 - o único furacão da história registrado no Brasil.
Com isso, o ciclone não terá formado ventos sustentados intensos, nebulosidade intensa e nem chuvas fortes ao longo da sua vida, deixando de existir ao longo da quinta-feira (19) sem ser nomeado e apenas influenciando o tempo no Brasil de maneira indireta.

Ainda assim, a formação de um ciclone com características tropicais próximos à costa do Brasil é algo digno de estudo aprofundado - já que, caso sistemas deste tipo comecem a se formar com maior frequência, aumentam também as chances de formação de um novo furacão no Brasil. E março de 2026 está se mostrando um mês particularmente ativo neste sentido.
Vale lembrar que, no início deste mês, a costa brasileira também registrou a formação de uma tempestade subtropical, batizada de Caiobá, ao mesmo tempo que uma depressão subtropical não-nomeada - marcando a primeira vez na história em que dois sistemas subtropicais ou tropicais são registrados ao mesmo tempo no oceano Atlântico sul.